10º Olhar de Cinema: Confira premiados, balanço geral e críticas – Por Filippo Pitanga

Até o dia 16 de outubro você pode acessar online a reprise de um conteúdo premiado e diverso de cinema de todo o planeta através da edição de aniversário do 10º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba – confira lista completa dos vencedores ao final do presente texto. E trazemos aqui um balanço com algumas dicas já conferidas que ainda contam com exibição nos próximos dias, na repescagem laureada.

Em primeiro lugar, começamos com o favorito desta coluna, que infelizmente ficou sem prêmios, e não deixaremos ficar esquecido, levando o reconhecimento da Revista Fórum. Um exemplar dolorosamente sensível, “Conferência”, de Ivan Tverdovskiy, coprodução entre a Rússia, a Estônia, Itália e Reino Unido. – talvez uma das intersecções contemporâneas mais interessantes entre um trauma ocasionado por evento verídico e a representação cênica na sétima arte como forma de purga da dor.  

Muitas vezes o primeiro e o último frame de um filme são cruciais na linguagem autoral para transmitir um significado. E não é estranha a esse filme esta proposta, já que começamos e terminamos com um longo ritual não só imagético, como bastante sonoro de limpeza num anfiteatro – metáfora de cena, de palco e de plateia para o que está por vir. Mas por que limpeza? Alguns traumas são tão profundos que apenas penetrando muito adentro podemos almejar algum tipo de purificação.

E ainda contamos com uma forte metalinguagem entre a representação do luto verídico com a encenação da performance, da reprodução de eventos reais pela tradição da oralidade na narração dentro da tal “conferência” que também serve de título à obra. Como é curioso que, às vezes, pra superar algo muito profundo, temos quase a sensação de precisar reviver a experiência pra digeri-la. O limiar entre vida e a cena. Muito potente.

A sinopse, segundo o próprio site do Festival, explica a história da seguinte forma: “Em 2002, sequestradores invadiram um teatro lotado em Moscou e mantiveram os espectadores e artistas reféns até uma intervenção militar que termina com mais de cem mortos. “Conferência” imagina como alguns personagens que viveram esta situação buscam maneiras de lidar com ela para seguir adiante. No limiar entre o trauma nacional, pessoal e familiar, esta ficção se constrói em torno de uma perturbadora longa sequência encenada no mesmo teatro, em que os relatos e lembranças vão aos poucos se tornando uma nova clausura que presentifica o passado de forma radical. *(E.V)”.

Eis que o trabalho do diretor Ivan Tverdovskiy, escritor e diretor russo, com filmes anteriores exibidos e premiados em festivais como San Sebastian, Karlovy Vary, Cairo, Nouveau Cinéma etc, foi crucial para agregar valor artístico e coletivo a essa experiência de catarse tão pessoal quanto como se fosse para as próprias vítimas sobreviventes do evento. Mas como consegue acionar um lugar de empatia como se pudéssemos ter estado ali, no mesmo lugar que eles, e ao mesmo tempo não invadíssemos um lugar de fala que não é nosso para ocupar?

A câmera inventiva não deseja relatar uma história, e sim nos fazer mergulhar em sensações, como nos posicionando no anfiteatro com uma filmagem distanciada, o suficiente para situar o lugar da tragédia de modo a lembrar que o palco e os assentos da platéia também são lugares de testemunho ativo. Por outro lado, cria dispositivos extremamente aproximados para contrastar, num jogo de morde e assopra. Um exemplo são os bonecos infláveis coloridos dispostos nos assentos da plateia como gesto simbólico das vidas que se perderam, ao mesmo tempo em que os relatos pessoais sobre as perdas é filmado com closes extremamente próximos. Alguns até cortando as cabeças pela metade – a sublimação do sofrimento ainda não foi libertada por completo.

O elenco principal, especialmente mãe e filha separadas pelo trauma e pela culpa, também é destaque para além do uso de câmeras que captam a essência da dor. A princípio, talvez os espectadores não compreendam tamanho ressentimento e frieza entre elas, contudo, inversamente proporcional, isto só acontece porque as formas de lidar com a perda e o horror são diferentes. Enquanto uma foi consumida por uma culpa que serve de segredo no filme quase até o final, tornando-se religiosa e isolando-se de todos, a outra não teve escolha senão permanecer cuidando do resto da família, e a única fuga da realidade irretratável se tornou a bebida. Qual delas é a mãe e qual a filha? Ou ambas são reflexos partidos uma da outra?

Uma das melhores seqüências que demonstra isso é quando a filha assiste a um espetáculo no anfiteatro da tragédia, no dia anterior à cerimônia conferencial contratada pela mãe no mesmo lugar, só para cumprir seu próprio rito dissociado do fervor substitutivo e religioso materno. No intervalo, a filha vai ao banheiro e bate a janela fortemente inúmeras vezes… Este impacto é profundo no filme, ainda que só seja explicado mais ao fim, e ressoa nas outras cenas. Por que bater a janela? Claustrofobia? Imitar o som de tiros? Não sabemos. Mas é associativo à cena seguinte, quando uma música de suspense dava o tom da visita da mãe à casa da filha, e onde o resto da família estava sozinha, sem cuidados, o que vai gerar um conflito entre as duas quando se reencontrarem.

Tudo pode tudo soar desproporcional… mas apenas até você entender o lado de ambas. Um filme complexo que se desvela conforme as camadas vão sendo desembrulhadas bem aos poucos, sem pressa pra tocar nas feridas, culminando na tal “Conferência” que entregará a narrativa aos próprios narradores, dispostos na plateia com os bonecos infláveis. E, no eixo contrário ao palco, ou à telona do anfiteatro, não por ironia, é exatamente onde estamos nós, os espectadores, assistindo pela fresta do ponto cego do que constitui o próprio cinema.

Por outro lado, menção honrosa do Júri da crítica da Abraccine, a experimentação mais anárquica e menos rígida está no cerne do brasileiro “O Sonho do Inútil”, novo longa-metragem do diretor José Marques de Carvalho Jr., também conhecido como Júnior SQL, outro dos destaques do Festival. Coincidentemente, trabalhos anteriores desse diretor-revelação já fizeram parte de cineclubes organizados por este que vos escreve, na época da curadoria coletiva junto com Samantha Brasil e Cavi Borges no Tempo Glauber (antigo Centro Cultural nomeado em dedicatória ao grande e saudoso cineasta Glauber Rocha, e que foi desapropriado numa atitude vergonhosa do governo brasileiro).

Na ocasião, exibimos “Coração de Mãe” (2015), por exemplo, sobre ocupações pelo direito de moradia, e esta é uma questão importantíssima de se cruzar dados com o que o novo projeto trouxe. É curioso haver vários filmes dentro de um único aqui, como no coração de mãe, sempre cabe mais um. O próprio diretor se apresenta logo de plano, e o faz através de uma dupla identidade que o espectador possa não saber: alguns o conhecem como cineasta, outros pelo sucesso obtido na internet pelos vídeos do canal do “Inútil” no estilo “Jackass” de Johnny Knoxville. Dois estilos completamente diferentes, dois tipos de público que não conheciam um ao outro, e que o diretor ousará tentar fazer encontrar…

Mas qual o propósito? Para qual finalidade? Seriam lados incompatíveis? Para o cineasta costurar essa audácia, ele trouxe um terceiro lado, mais estrutural e ligado à forma de contar essa história: o ensaio! É através da inserção do “eu lírico” não apenas de si próprio como de outros membros de sua equipe, como Diego e Aluã, por exemplo, além de Douglas, numa participação de forma póstuma – um belo tributo, e que justifica em grande parte o filme. Não apenas pelo saudosismo ou respeito ao amigo, porém pela próprio construção das chances que o cinema pode catalisar.

Ainda dentro do ensaio, há evidências ali de real conhecimento de linguagem da sétima arte, inserindo-se dentro de um conteúdo histórico, como nas montagens com imagens de arquivo não apenas próprias, como de filmes de Buster Keaton, nomeado como um ídolo. Os vários “acidentes” do ator clássico do primeiro cinema, tido por muitos como rival de Chaplin, provocavam risos pelos infortúnios sofridos na própria carne, no seu corpo, servindo dentro da narrativa de “O Sonho do Inútil” como validação dos truques e desafios arriscados que eles performavam, desde atear fogo em si mesmos a outras peripécias ainda mais perigosas.

Pode soar pretensioso precisar se justificar através de cânones da imagem autoral para dizer que o ser humano sempre se infligiu os piores castigos com a desculpa de que seria entretenimento para terceiros… Alguns não toleram esse tipo de humor. Porém, não seria exatamente esta a história da humanidade? O sofrimento de alguns não sempre foi usado como privilégio para outros? Desde o Coliseu romano e diversos tipos de sortilégios piores. – E isso torna certo? Não. Mas se o filme aquiesce tal questão e traz um senso crítico para tal, usando deste recurso para desconstruir a hipocrisia da própria sociedade, deixa de ser mera reprodução do sucesso de seu canal na internet e passa a se tornar uma autodeclaração. Um manifesto.

Talvez aqui o leitor esteja se perguntando o quão derradeiros foram os números perigosos a ponto de estarmos falando que o longa-metragem faça homenagem póstuma a um dos integrantes… Mas não foi isso que tirou sua vida. Eis o pulo do gato. O outro lado documental é mais tradicional e traz uma série de entrevistas, sempre com a mesma empáfia e inconformismo dos vídeos que lhes tornaram famosos, contestando falas acomodadas ou discursos preparados (como o debate com a mãe de Aluã ou a emoção desoladora do pai de Douglas). Nestas, descobrimos alguns spoilers que não serão revelados aqui, mas que revelam os verdadeiros perigos do mundo, muito maiores do que os do programa. Não calculados. Mais absurdos.

Certa fama que obtiveram com o canal de humor lhes ajudou a afastar algumas possibilidades nefastas da vida. Não que fossem as únicas alternativas para fugir do mundo das drogas ou do crime organizado, só que foram as possíveis para essa equipe – até porque, dependendo da região onde se vive no Rio de Janeiro, domicílio do filme, infelizmente há um pré-julgamento da sociedade que rotula e restringe as possibilidades. E o humor originário do grupo se torna redimensionado de modo amargo a ser convertido num drama sincero, não sensacionalista.

O filme se torna um libelo não só do programa como ascensão social, porém do próprio cinema de purgar as agruras. E nem é a primeira vez que vemos isso, como em cults do porte de “A Vizinhança do Tigre” de Affonso Uchôa (2014). A diferença é o vigor narrativo no corte da edição e na força de vontade e crença de que a sétima arte possa servir como função social, mesmo tão renegada pela atual administração pública. Talvez justamente o que precisássemos ouvir.

Outro destaque dentre os multipremiados foi “Rio Doce”, de Fellipe Fernandes, com um elenco magistral (em muito advindo do cenário efervescente do marco do cinema pernambucano e, inclusive, do filme “Bacurau”) – levando o reconhecimento principal da competição internacional do Olhar de Cinema e também melhor filme brasileiro. Só pelas estrelas na tela já daria vontade de viver dentro do universo construído. Sem falar que seu diretor é um jovem cineasta delineando seu estilo de filmar cada vez melhor desde curtas como “Tempestade” (2019), este com linguagem technoqueer e pegada no onírico e fantástico para contundentes críticas sociais.

Contudo, por incrível que pareça, este crítico viu tanto potencial na história do longa-metragem que ficou esperando pela segunda parte do filme, como se pudesse ser bem mais longo do que os módicos 90 minutos de projeção. Havia até espaço para trabalhar bem mais algumas das referências estéticas acima mencionadas de obras anteriores, complexificando e tridimensionalizando sua linguagem, questões apenas prenunciadas aqui, mas cujo tamanho compacto talvez não tenha permitido. E isto não é um demérito, no entanto, um potencial que poderia ter sido bem mais desenvolvido.

A premissa gira em torno de jovem personagem (o rapper/ator Okado do Canal) um pouco perdido na vida, tentando pagar as dívidas e ser um bom pai, além de manter a amizade com a ex-mulher, quando descobre seu pai biológico depois que este vem a falecer e deixar uma carta para suas várias filhas revelando o segredo extraconjugal. O elenco feminino, por sinal, está arrebatador, com uma química extrema entre si, desde a família real do protagonista à parte biológica recém-descoberta. Nomes como as maravilhosas Nash Laila, Amanda Gabriel, Cíntia Lima, Suzy Lopes e muitas mais parecem azeitadas de tal modo que a preparação de elenco deve ter sido muito orgânica e eficaz.

Este é o tipo de recorte em que pegamos um ponto intermediário na vida destas pessoas que parece precedido e sucedido por muito mais, mesmo que a âncora esteja na persona de Okado, que possui sua própria órbita e lógica de desenvolvimento, inclusive elenco de suporte independente da trama do pai biológico, como os incríveis Carlos Francisco e Edilson Silva. E a curva de evolução do protagonista é interessante independente disso, mesmo que cortássemos todo o outro lado da trama, como a semiótica de seu figurino, cuja camisa começa vermelha no início do corre pelos trabalhos e dívidas; depois passa para uma preta com estampa egípcia quando fala de suas raízes; e, enfim, branca, emprestada de sua irmã biológica que se coloca à disposição de uma amizade genuína, e cuja paz só vem depois que ele enfrenta seus demônios e leões da vida.

Porém, justamente pela riqueza de detalhes de cada subtrama, às vezes parece que a intenção pareceu maior do que a execução, assumidamente mais intimista e sutil, e cujas pontas soltas soam como intencionais – desde as ameaças de agiotas à desconfiança de outros membros da família biológica na disparidade de classes entre os dois mundos. Evidente que tudo é feito com extremo respeito, demonstrando dignidade à parte de qualquer abismo social, porém, ao mesmo tempo, há um subtema que parecia gigante a ser tratado, e que fica um pouco solto: o fato de os novos parentes são predominantemente permeados pela branquitude, e mesmo o colorismo também não é trazido para o primeiro plano, mesmo subentendido ali.

Não são deméritos, repito, mas potenciais esperando para serem ainda maiores. Quando o longa acaba, fica a sensação de que ele podia estar apenas começando, apesar de bastante consciente de seu fim. É pena que não costumamos ter projetos como estes ofertados para seriados sobre questões familiares, uma vez que a dramaturgia televisiva está crescendo cada vez mais no Brasil graças às plataformas de streaming e talvez permitisse que esta empreitada ganhasse asas pra voar mais alto na direção do que ela poderia alcançar.

Por último, mas não menos importante, outro dos mais laureados foi o filme “Rolê – Histórias dos Rolezinhos” de Vladimir Seixas, um documentário sobre o movimento-título que começou desde os anos 2000 no shopping Rio Sul e se fortaleceu a partir de 2013. Um grito de indignação contra a segregação social e racial mantida na base dos grandes centros urbanos e que impede a circularidade entre os vários territórios como se fossem guetos confinantes.

Não à toa, para evocar tal força de resistência, as imagens de arquivo passeiam pelos próprios rolezinhos em sua essência, que foram movimentos de roles em shoppings das áreas nobres das principais regiões metropolitanas, juntando pessoas de várias classes e origens. Pessoas estas a quem não seria dado o privilégio de simplesmente poder existir ali como igual a todos. Mas quem tem a autoridade de dar ou tirar esse direito? É evidente que todos são iguais, inclusive perante a Constituição Federal. Entretanto, por que ainda temos bolhas de pessoas que tratam o direito de ir e vir como um privilégio do capital?

Divulgação

Ao narrar tal história, para além dos registros históricos, há um tensionamento igualmente com um estigma advindo da própria cultura do capital, em grande parte branca e de elite, cuja existência parece querer dizer que tem mais valor e, portanto, validaria as agressões e violências extremas como as que sempre vimos da força policial contra grupos específicos de pessoas. Aliás, as injustiças não só policiais, como judiciárias e políticas costumam ter até mesmo endereço de destinatário, já que as regiões mais periféricas sofrem até hoje de repressão desproporcional e injustificada.

Algumas das cenas mais pesadas foram montadas de tal modo a não exotificar a violência, tanto com culturas curativas emanadas pelos próprios sujeitos da reivindicação, que de forma alguma podem ser vistos apenas como vítimas, quanto pelos interlocutores do filme: estes sim agentes agregadores do bem comum. É muito interessante quando algumas das seqüências são reduzidas no quadro de projeção para a janela do notebook dos narradores do filme, como um dos organizadores dos rolezinhos ou a líder de um coletivo feminista. Há um poder ainda maior em retirar da tela cheia algumas imagens que poderiam ser gatilhos para as mesmas pessoas por quem se está lutando aqui, e, ao reduzi-las para a janela do computador de nossas personagens, mostrando a reação delas direta, juntar a necessidade de lembrá-las para não esquecer e ao mesmo tempo o direito de resposta.

E a réplica vem na chave da performance dos mesmos envolvidos em nos conduzir por esta narrativa. Há diversos tipos de arte com ativismo (“artivismo”), desde um megafone vermelho que projeta e reocupa em praça pública os discursos de ódio agora purificados numa encenação catártica. Ou mesmo a cena do grupo de mulheres que usa seu cabelo como um símbolo crítico para arear panelas – já que esta era uma das ofensas regularmente lançadas às mulheres negras no passado (e, infelizmente, até mesmo ainda hoje).

Outra ferramenta muito eficaz do filme é demonstrar que o preconceito e racismo arraigados de forma estrutural na sociedade advém de uma cultura mantida por séculos, e que se trata da mesma mentalidade que elegeu os governos conservadores que estão neste momento no poder no Brasil. Foi muito importante enquadrar e delinear um quadro maior onde isto se encaixa, nas matérias de jornais e campanhas eleitorais, para termos dimensão da longevidade que essa intolerância já perdura, e que é com ajuda da elite e da política que se mantém. Ou seja, caso a sociedade não se mobilize e demonstre a sua indignação coletivamente, a impunidade poderá se perpetuar em cima da passividade alheia. (vide a reação de uma das narradoras ao anúncio de vitória do autoritarismo nas últimas eleições de 2018, muito bem contextualizadas no roteiro deste documentário).

Algumas das melhores cenas advém justamente de mostrar que as raízes da ancestralidade deste país, quilombolas e indígenas, são muito mais potentes que as da Casa Grande colonizadora. Enquanto um dos organizadores do rolezinho narra que foi elogiado por um entrevistador porque sabia jogar muito bem em competições de videogame, ou que a parede de seu quarto seria ornada por quadrinhos de super-heróis e por isso ele teria muito estilo, ao mesmo tempo o filme lembra que ninguém precisa da aprovação da elite: logo antes desta cena o mesmo personagem diz que na periferia ninguém deixa de ajudar uns aos outros, compartilhando arroz e feijão; assim como, na cena seguinte, é num churrasco que ocorre a confraternização de afetos entre várias das outras personagens do filme.

Com tudo isso, o ritmo e decupagem do longa-metragem não se permite conformar sob nenhum dos paradigmas impostos de terceiros para legitimar quaisquer identidades plurais, assim como realça que apenas valorizando esta diversidade cultural é que poderemos sair do aprisionamento do capital em reproduzir velhas violências sociais. Um filme que se posiciona de forma engajada e militante sim, porque de filmes vazios que não querem dizer nada já estamos saturados aos borbotões chegando do hemisfério norte-americano. Queremos é a nossa cultura de volta para nós!

Vale ressaltar aqui outros destaques que receberão reprise no 10º Olhar de Cinema, como o ganhador de melhor contribuição artística, o belo “Sonhos de Damasco” de Emilie Serri, sobre uma tentativa de regresso da visão daqueles que precisaram se exilar fora de sua terra mãe, a Síria, pelos conflitos internos do país, e esta análise onírica se dá pelas esperanças e pesadelos daqueles que saíram e desejam ou não tentar voltar (como a saudade do aroma único das flores de jasmin ou do cinema da família da diretora que narra a história em capítulos com seus entrevistados a sonhar). Ou mesmo o prêmio Abraccine para “Estilhaços” de Natalia Garayalde, um ensaio entre a inocência do olhar das crianças e o terror de um dos episódios mais escabrosos da história da Argentina registrados pelas lentes do passado, ora transformado em cinema.

Confira a lista completa de premiados abaixo:

Mostra Competitiva

Longas-metragens

Prêmio Olhar de Melhor Filme

Rio Doce de Fellipe Fernandes 

Prêmio Especial do Júri

Rolê – Histórias dos rolezinhos de Vladimir Seixas 

Prêmio de Contribuição Artística

Sonhos de Damasco | Damascus Dreams de Emilie Serri 

Curtas-metragens:

Prêmio Olhar de Melhor Filme

Vikken | Vikken de Dounia Sichov

Menção Honrosa

Ouça a batida das nossas imagens de Maxime Jean-Baptiste e Audrey Jean-Baptiste

Mostra Outros Olhares

Melhor longa-metragem

Rumo ao Norte / North By Current de Angelo Madsen Minax

Menção honrosa

Apenas o Sol / Nothing But The Sun de Arami Ullon

Mostra Novos Olhares

Novos Olhares – Melhor Filme 

Crime Culposo | Careless Crime de Shahram Mokri 

Menção Honrosa

A Cidade Dos Abismos de Priscyla Bettim e Renato Coelho

Prêmio de Melhor Longa Brasileiro das Mostras Competitiva, Outros Olhares e Novos Olhares. 

Rio Doce de Fellipe Fernandes 

Menção Honrosa

A Matéria Noturna de Bernard Lessa 

Prêmio de Melhor Curta Brasileiro das Mostras Competitiva e Outros Olhares

Uma Paciência Selvagem Me Trouxe Até Aqui de Érica Sarmet 

Menção Honrosa

Chão De Fábrica de Nina Kopko 

Júri AVEC-PR

Prêmio AVEC-PR Leandro Schip Olhar de Cinema

Mirador de Bruno Costa

Menção honrosa do Júri AVEC-PR

Perto de você de Cássio Kelm

Júri Abraccine

Vencedor

Estilhaços | Splinters de Natalia Garayalde 

Menção honrosa

O Sonho do Inútil de José Marques de Carvalho Jr

Prêmio do Público

Rolê – Histórias dos rolezinhos de Vladimir Seixas

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