“A agenda anticorrupção sofre reveses desde 2018”, diz Moro ao jornal FT

O ex-ministro da Justiça, Sergio Moro Cristiano Mariz/VEJA

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O jornal inglês Financial Times publicou neste domingo, 26, uma reportagem com o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, em que ele afirma que “a agenda anticorrupção sofre reveses desde 2018”. 

Durante a conversa, Moro explica porque pediu demissão do cargo: “Uma das razões pelas quais deixei o governo foi porque não estava fazendo muito. Eles estavam usando minha presença como desculpa, então eu fui embora.”

Moro foi nomeado ao Ministério da Justiça assim que Jair Bolsonaro tomou posse, em 1º de janeiro de 2019. Ele permaneceu no cargo até abril desse ano. O pedido de demissão, seguido de acusações de interferência do executivo na autonomia da Polícia Federal,  trouxe desgaste para o governo e motivou uma investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal contra o presidente, que ocorre sob supervisão da Procuradoria Geral da República.

Ao Financial Times, Moro declarou: “Não acho que o combate à corrupção funcione quando não se respeita o estado de direito nem a autonomia das instituições que investigam e processam crimes”. O ex-juiz disse ainda que “ele [Bolsonaro] mudou o diretor da Polícia Federal sem a minha opinião e sem uma boa razão. Não foi um bom exemplo de um presidente em respeitar o estado de direito.”

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O periódico também destaca que Moro foi alvo de hackers que invadiram seu celular e divulgaram conversas com procuradores enquanto atuava como juiz dos casos da Lava Jato. “Não reconheço a autenticidade dessas mensagens. Não havia nada que pudesse comprometer o caso ”, afirmou ao FT.

Quanto ao futuro da Lava Jato, o ex-ministro disse que “em algum momento, tudo terminará como qualquer outro tipo de investigação criminal”,  acrescentando que “realmente acredito que o povo brasileiro apoia essa [abordagem], para que não seja difícil recuperar o caminho certo”.

Segundo a publicação, Sergio Moro se negou a responder se irá concorrer à presidência em 2022.

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