A Catalunha como analisador de paradigma politico

Como era esperado, as sentenças da justiça espanhola para os politicos independentistas acusados, foram severas.

Não tão severas quanto alguns queriam, mas, na maior parte dos casos, excederam os dez anos de prisão.

A sentença permite-se criticar os políticos, tratando-os de irresponsáveis, os de um lado e do outro. Sendo parcialmente verdade, não deixa de ser uma critica de actos políticos e não jurídicos…

Naturalmente que em torno deste grave problema, muito antigo, as posições se extremam e são largamente aproveitadas para consumo ideológico e partidário.

A nossa comunicação social, não toda felizmente, não foge a este extremar, manipulando a informação de acordo com as suas crenças.

O Observador afirmou que foram condenados pela acusação menos grave, o que não é verdade, a menos grave era o uso de dinheiro publico para o referendo. Foram condenados por sedição e absolvidos de rebelião. Também afirmou que os catalães já tinham decidido democráticamente no referendo de 2005, omitindo que o Partido Popular impugnou no Tribunal Constitucional artigos fundamentais do Estatuto da Catalunha, que tinha sido negociado entre Zapatero e Maragall.

O El PAÍS, não esconde a sua posição de apoio às posições de Madrid. Até critica a comunicação social portuguesa por “esconder” que uma minoria de catalães quer impor a sua lei à maioria e avisa-nos que a situação caminha para um processo semelhante ao do País Basco…

A este jornalismo de opinião, temos a alternativa de ler um jornalismo informativo, através do Expresso, do Publico e do Vanguardia, jornal espanhol da Catalunha.

A sentença originou reações muito fortes de uma parte da população da Catalunha, na sua maioria pacificas, sendo aproveitadas por grupos extremistas para destruir tudo o que podiam, com táticas de guerrilha urbana, que deixaram a própria policia surpreendida.

Infelizmente as lógicas partidárias e sobretudo clientelistas, são de uma tristeza aflitiva, estando cada vez mais longe das pessoas, mas também não se preocupando muito, porque o que interessa é o poder e as suas vantagens.

Este paradigma, foi claro nas ultimas semanas. Se, já antes, os diferentes partidos se tinham recusado a negociar, deixando que se chegasse aos limites, para depois atirar a decisão para a justiça, agora o circo partidário, já só tem funânbulos.

O Partido Socialista espanhol, com medo de perder votos, quer tudo menos falar com o Governo da Catalunha. No seu oportunismo, esquece que negociaram em 2005 o Estatuto.

O Presidente da Catalunha demora dois dias a condenar a violência, dando pretexto para ser atacado por quase todos e acantonando-se cada vez mais num independentismo radical, que perde força e o levará a um beco sem saída.

A direita grita que é preciso prendê-los novamente. Ninguém quer falar da negociação de um novo Estatuto, posteriormente referendado, em alternativa ao caminho suicida para novas tentativas de independência.

Na minha opinião a Catalunha tornou-se num excelente elemento de análise epistemológica para observar como a politica é cada vez mais um jogo de poderes, que, cinicamente, se preocupa com o afastamento dos eleitores, mas que, na realidade, “se está nas tintas”.

As “lágrimas de crocodilo” que vimos nas nossas Legislativas, pelo alto nível de abstenção, são a cortina de fumo de quem sabe bem, que estamos fartos de conflitualidades medíocres, que afastam muitos, de lhes confiarem uma parte do seu futuro.

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