Academia francesa de cinema premeia “Os Miseráveis” e Polanski

A longa-metragem “Os Miseráveis”, de Ladj Ly, foi distinguida na sexta-feira à noite como o melhor filme da 45.ª edição dos prémios de cinema Césares, em Paris, que premiaram também Roman Polanski como o melhor realizador por “J’accuse”.

“Os Miseráveis” arrecadou também os prémios de melhor ator revelação (Alexis Manenti), melhor montagem e o César do Público.

“J’Accuse – O Oficial e o Espião” obteve também o melhor argumento adaptado e o melhor guarda-roupa.

Os dois filmes estavam nomeados para 12 categorias, mas a longa-metragem de Polanski estava no centro de uma polémica, depois de sobre o realizador recair uma nova acusação de violação.

Esta situação levou a que vários grupos feministas se tivessem manifestado contra o reconhecimento do realizador franco-polaco que, na quinta-feira, revelou que não iria à cerimónia de entrega dos prémios Césares, o equivalente francês aos Óscares norte-americanos.

O cineasta, de 86 anos, decidiu não ir à entrega dos galardões por receio de um “linchamento público”, de acordo com um comunicado citado pela agência France-Presse.

O realizador disse que preferia “não afrontar um autoproclamado tribunal da opinião pública, disposto a espezinhar os princípios do Estado de direito para que o irracional triunfe de novo”.

“J’Accuse – O Oficial e o Espião”, premiado em 2019 no festival de Veneza, retrata o caso Dreyfus – um escândalo político que dividiu a França entre 1894-1906 – e a história é contada do ponto de vista do tenente-coronel Georges Picquart.

O próprio Polanski admite que encontra no caso referências à sua própria história e aos problemas com a justiça por causa das acusações de violação.

Este caso ensombrou o resto dos vencedores dos Césares, como por exemplo Roschdy Zem (melhor ator por “Roubaix, Une Lumière”, de Arnaud Desplechin), e Anaïs Demoustier (melhor atriz por “Alice et le Maire”, de Nicolas Pariser).

“Belle Époque”, de Nicolas Bedos, arrecadou os prémios de melhor argumento original, melhor direção artística e melhor atriz secundária (Fanny Ardant), enquanto Swann Arlaud foi o melhor ator secundário em “Grâce à Dieu”, de François Ozon, e o filme sul-coreano “Parasitas”, de Bong Joon-Ho, impôs-se como melhor filme estrangeiro.

Por causa das nomeações atribuídas ao filme de Polanski, a associação “Osez le féminisme” e o coletivo feminista #NousToutes convocaram manifestações para sexta-feira em frente à sala Pleyel, onde decorreu a cerimónia.

Em 1977, Roman Polanski reconheceu ter tido relações sexuais com Samantha Geimer, então com 13 anos. Em 2010, a atriz britânica Charlotte Lewis declarou que o realizador a tinha forçado a ter uma relação sexual quando ela tinha 16 anos.

Em 2017, o realizador foi acusado por duas outras mulheres: uma identificada como ‘Robin’ alega ter sido vítima de agressão sexual aos 16 anos, em 1973; Renate Langer assegura ter sido violada por Polanski quando tinha 15 anos.

Em novembro passado, num depoimento publicado no jornal Le Parisien, Valentine Monnier, fotógrafa, ex-modelo e que também participou em alguns filmes nos anos de 1980, acusa Roman Polanski de a ter agredido e violado em 1975. A jovem tinha na altura 18 anos e estava hospedada no chalé de Polanski em Gstaad, na Suíça.

A cerimónia dos Césares aconteceu num momento conturbado para a própria Academia Francesa de Cinema, porque a direção se demitiu em bloco no passado dia 14, por causa de críticas à gestão da instituição e pela controvérsia em relação a Roman Polanski.

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