As democracias tribalizadas

A FRASE…

“Não creio num partido ético… mas defendo que ao Estado cumpre criar os freios e contrapesos para que nenhum poder, ideia ou conceito esmague os outros.”

Henrique Monteiro, Expresso 28 de Fevereiro de 2020 

A ANÁLISE…

Os totalitarismos e as democracias tribalizadas, quer sejam de esquerda ou de direita, condicionam a vida dos cidadãos através do medo e de tabus. As profissões de escrutínio, tais como as do jornalismo, de juízes, de reguladores e de membros de tribunais comuns ou superiores, ou as de pensamento livre como devem ser as universidades ou as de movimentos cívicos, são condicionadas por decisões de um poder político semiautoritário, por ameaças à sua liberdade de opinião e decisão, influenciando a comunicação social e as redes sociais, e por sanções económicas, como a perda do emprego ou do orçamento.

O editorial do The Spectator de 29 de fevereiro referia que as instituições que devem promover a razoabilidade e a imparcialidade sucumbem hoje ao pânico moral e histeria coletiva da opinião pública. Numa democracia tribal é determinante a criação de inimigos. Atualmente, os inimigos tanto podem ser os imigrantes, os empresários, os banqueiros, as raças, os polícias, os partidos políticos, a Europa, os judeus, os religiosos, os advogados, as profissões liberais, os extremistas, os jornalistas ou quaisquer outros grupos, conforme os autoritarismos de esquerda ou de direita. E numa democracia, ainda que jovem, como a portuguesa, como caminhamos para a tornar iliberal? Transformando quase tudo em dependência do Estado (quem o controla domina a sociedade); instalando a linguagem do politicamente correto; desconfiando dos freios e contrapesos quando não nos é favorável; furtando-nos ao debate e ao contraditório, uso e abuso da suspeição, e colagem perversa de pessoas a ideias retrógradas, só porque não é da minha cor política; promovendo-se um jornalismo fragmentado tipo Fox News ou CNN, umas tribos político-culturais em detrimento de outras e quando ajudamos ao enfraquecimento de um jornalismo que também se enfraquece a si próprio quando se tornou dependente do “status quo”, que não sabe lidar com as reformas da engenharia social gradual típicas de uma sociedade aberta e livre. Onde vamos parar?

Este artigo de opinião integra A Mão Visível – Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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