Condomínios no STJ. Tem que ser assim?

Angélica Arbex

30 de maio de 2019 | 10h58

Nos últimos 15 dias a imprensa repercutiu duas decisões de tribunais superiores sobre a vida em condomínios. Primeiro foi a questão dos animais e depois sobre o acesso dos inadimplentes nas áreas comuns.

Li ambas decisões e conversei com alguns veículos de comunicação sobre isso. Mas o ponto que preocupa é outro e mais delicado. Por que questões de convivência, de relação entre vizinhos, entre síndicos e moradores precisam ser discutidas por tribunais superiores? Quando foi e onde foi que perdemos a capacidade de viver em comunidade e de chegar a um entendimento com este grupo de pessoas que convivemos diariamente.

Está claro pra mim que toda vez que não há um entendimento entre partes e que uma sente-se prejudicada por outra, a conciliação é o caminho. No máximo uma consulta à Convenção ou ao  Regimento Interno do condomínio. Não é mais assim. Morar precisou se tornar pauta do STJ! Isso mostra a nossa total falta de paciência, resiliência e capacidade de se relacionar com o outro, diverso e diferente de nós.

Em poucos anos 90% da população mundial viverá em cidades, as cidades populosas têm uma única opção de crescimento e ela é vertical. Nossos filhos e netos, que nascem digitais e  nômades, irão morar em muitos lugares pela sua cidade natal, pelo país, pelo mundo. E a capacidade de conviver e viver bem com o diferente, respeitando regras e combinados é, na minha opinião, o único jeito possível de viver bem e feliz.

Como depois de casos com essa repercussão podemos ter, por exemplo, um “bom dia” no elevador, uma festa junina no térreo ou os filhos de cada uma das “partes” brincando juntos no parquinho. Casa é lugar de afeto e de tranquilidade. Não tem como ser de outro jeito.

E toda vez, que para ter  seu direito reconhecido  e legitimado, isso depender de uma decisão da justiça, a coisa azeda. Não tem parte vencedora. Todos perdem, o prédio , os outros moradores, a vida vertical.

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