Covid-19. Governo decide na quarta-feira se cede à pressão de Marcelo ou à opinião dos peritos

As imagens de adeptos estrangeiros no Porto, na final da Liga dos Campeões, lançaram dúvidas sobre afinal o que vai decidir o Governo sobre o desconfinamento daqui para a frente. Como conseguirá o Governo impor um modelo mais restritivo? Na quarta-feira, o Governo reúne-se em Conselho de Ministros e em cima da mesa terá várias condicionantes: primeiro, a pressão do Presidente da República, que continua a defender que é preciso “voltar à vida”; depois, a opinião dos especialistas, que sugeriram a António Costa manter o mesmo modelo de avaliação de risco para a gestão da pandemia e, por fim, terá ainda a percepção pública e o cansaço pandémico, identificado pelos especialistas.

Os vários fatores têm pesado tanto nas decisões do Governo como do Presidente da República. Mas Marcelo Rebelo de Sousa já mostrou, por mais do que uma vez e de forma evidente, que é hora de mudar o chip e desequilibrar a balança a favor da economia e da vida social. Foi o que disse na semana passada e repetiu depois na reunião do Infarmed, quando discordou dos peritos.

A reunião foi pedida por António Costa há cerca de um mês para que, depois de findo o modelo de desconfinamento que tem enquadrado as decisões do Governo, os especialistas voltassem a desenhar outro, mas com pressupostos diferentes: que contasse com os efeitos da vacinação e com a situação atual da pandemia que, apesar de ter conhecido algum crescimento, mantém-se com uma incidência baixa, com muito poucas mortes e poucos internamentos.

Costa ficou calado depois de os peritos sugerirem a continuidade do modelo, mas, à saída do encontro, Marta Temido referiu que a matriz de risco serve como um “alerta”, deixando na dúvida se os graus de desconfinamento que têm sido usados a nível local vão continuar a ficar indexados a patamares fixos (a números de casos por cem mil habitantes).

O primeiro-ministro não abriu o jogo nas intervenções que fez nos dias seguintes, apenas responde que “não é pelo facto de haver incumprimento das regras que elas deixam de ser legítimas”. Estas serão, no entanto, muito mais leves. (Pode ler aqui a proposta dos especialistas – Lotação nos restaurantes, transportes e pavilhões: o ABC do guião para o desconfinamento proposto pelos peritos). As maiores incógnitas têm a ver com a limitação horária para o funcionamento de restaurantes e similares, para as limitações de ocupações de espaço (também para a realização de eventos) e ainda para a abertura de bares e discotecas.

Além do cansaço pandémico que se tem verificado, o Governo gere ainda esta semana a polémica em torno da final da Liga dos Campeões. Para tentar esgotar o tema antes do anúncio das medidas para os próximos fins de semana (os dois com feriados à quinta-feira) e para junho e Verão, o primeiro-ministro falou esta segunda-feira sobre o tema. E se, de um modo geral, se nota uma vontade de Costa de abrir a economia, por outro tem uma ala mais cautelosa no Governo que insiste em não soltar de vez o travão de mão.

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