Dificuldades não impedem equipe do Araguaia de levar serviços a municípios da região

Muita poeira e trechos com visibilidade zero, assim foi parte da viagem que as equipes do Araguaia Cidadão enfrentaram para chegar à cidade de Santa Terezinha nesta terça-feira (5 de novembro). Dos 430 quilômetros percorridos neste único dia, pelo menos 130 foram feitos em estrada de chão, com muitos buracos, e sem nenhuma segurança. Apesar de curto, por conta das más condições, a distância levou cerca de 3 horas para ser percorrida pelas 80 pessoas que se propuseram a levar serviços judiciários, médicos e de cidadania para a população da cidade.
Filas gigantescas formadas por caminhões e camionetes também aumentavam o perigo da estrada diante da nuvem vermelha de poeira levantada. Em determinado momento, a chuva até ensaiou dar uma mãozinha e diminuir o pó, mas os tímidos pingos foram insuficientes para abrandar tamanha secura da região. Foi assim que na estrada tiveram carros quebrados, pneus rasgados e outros problemas mecânicos.
Para se chegar até a cidade, a viagem foi feita em duas etapas, começando na segunda-feira (4), quando a expedição saiu de Cuiabá e dormiu em Água Boa. Além de enfrentar as dificuldades das estradas, alguns dos voluntários contam ainda que deixaram compromissos importantes para trás, mas com a certeza de que o trabalho prestado à comunidade tão carente de serviços básicos será recompensador. Esse é o caso da servidora Cristina Auad, que trabalha na Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) e está escalda para servir no projeto.
Ela conta que irá perder a primeira formatura de sua filha de 6 anos, Zannie Auad, que nesta sexta-feira (8) irá finalizar o quarto ano do ensino infantil. “Para a mãe é importante acompanhar todas as etapas da criança e foi por isso que quando recebi o convite na hora eu fiquei pensativa, mas me lembrei que uma servidora tem que servir a população. Nós somos sozinhas, por isso, conversei muito com ela, que chorou incansavelmente, mas entendeu que esse é o trabalho da mamãe. Ela ficou com a avó. Eu estou aqui, vim para ajudar e trazer os serviços para quem precisa tanto e não tem como ir até outra cidade buscar”.
Ela ressalta ainda que sabe que acredita que a vivência que será adquirida na expedição será inigualável ao que já foi vivido. “Aqui a vida é totalmente diferente da nossa e isso me traz uma satisfação pessoal em poder ajudar as pessoas. Quando você ajuda os outros você também está se ajudando. Às vezes você reclama de sua vida sem conhecer a realidade do próximo. Eu estou vindo com muita alegria, mesmo perdendo um evento tão importante.”
O juiz responsável pela organização e execução do Araguaia Cidadão destaca que todas as dificuldades já eram previstas e por isso também já foram programados os reagrupamentos e a viagem em ´comboio´, que auxilia quem tiver problemas pelo caminho. Ele conta ainda que todos os envolvidos são movidos pelo desejo de fazer o bem.
“Nós temos vários voluntários e todos imbuídos no desejo de fazer o bem. Esse é o espírito do Araguaia é sempre sairmos da zona de conforto e levar alento a essa população. Nós vamos a locais onde não se tem muito a oferecer, com pouca presença do Estado, e municípios com pouco recursos. Com todo o apoio do presidente, desembargador Carlos Alberto Aves da Rocha, o Poder Judiciário está presente e puxando pra gente essa responsabilidade, pois a visão dessa gestão é ter a Justiça Estadual à frente de uma nova era, deixando de ser o Poder da intocabilidade e trazer serviços que possam dignificar a população.”
O magistrado explica ainda que o trabalho é feito em parceria com muitos outros órgãos e é isso que faz a diferença da expedição.

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