Economia circular

Sou filho e irmão de carpinteiros. Cresci no meio da serradura que caía no cabelo como neve amarela; na fábrica do meu velho ficávamos todos ruços ao fim de cinco minutos. Cresci com lascas encravadas entre a unha e a carne. Aprendi a manusear todas as ferramentas, da plaina ao formão, e a reconhecer as diferentes madeiras pelo cheiro, textura e cor. Aliás, nunca se falava em ‘madeira’, conceito demasiado abstrato. Falava-se em cerejeira, mogno, carvalho, nogueira, pinho. Cada pedaço de madeira, da prancha de vários metros até à cavaca, tinha nome próprio e era quase sagrado. Até a serradura era para aproveitar naquilo que hoje se apelida de economia circular. Aprendi, portanto, a ver um móvel como algo quase eterno. Na minha cabeça, um armário ou uma cómoda é para passar de pais para filhos, porque aquela madeira é preciosa, é só um empréstimo da Criação. Na minha mente de artesão, o desperdício de madeira e outros recursos (água, sobretudo) é mesmo um pecado.

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