Estudantes chineses na Austrália obrigados por redes criminosas a fingirem o próprio sequestro

Os raptos virtuais de oito estudantes chineses só no estado de Nova Gales do Sul, na Austrália, puseram a descoberto um novo esquema usado pelas máfias para extorquir dinheiro aos familiares desses jovens, que os julgam em perigo. As autoridades acreditam que mais casos possam ter ocorrido, sem que tenham sido denunciados.

Segundo a CNN, que explica como operam estas redes criminosas, os estudantes são contactados e convencidos de que têm problemas com a justiça pendentes na China. A troco de não serem denunciados, aceitam fingir o seu próprio sequestro – fotografando-se amarrados e de olhos vendados, por exemplo – para que sejam pedidos os resgates às respetivas famílias.

O primeiro passo é chegar aos alvos pretendidos. Com chamadas aleatórias visando milhares de contactos distintos, membros das máfias começam por falar em mandarim a quem os atende. Os cidadãos australianos geralmente desligam, mas se o interlocutor os entende, está ultrapassado a primeira filtragem.

Se quem atende é um estudante a residir na Austrália, a mensagem é a de que fala alguém de uma autoridade chinesa (seja da policia, seja da embaixada), dando-lhe conta de que enfrenta acusações no pais de origem. Ameaçados de que vão ser extraditados para serem julgados, ou os familiares sofrerão as consequências, os jovens acabam por cooperar. Segundo a CNN, o esquema está tão bem pensado que se os estudantes procurarem os números a partir dos quais receberam as chamadas, vão encontrá-los associados a organismos reais.

Uma de duas coisas acontecem depois. Ou os jovens aceitam transferir as somas exigidas para as contas que lhes são indicadas – bancos fora da Austrália, para evitar o possível rastreio – ou são forçados a fingir o seu rapto. Geralmente com recurso a fotografias, enviadas depois para os seus familiares através da plataforma WeChat.

Tudo está pensado. Quando as famílias são contactadas, os estudantes são levados para um hotel, para que não possam usar os telemóveis e fiquem incontactáveis. São libertados quando os resgates são pagos, após o que podem voltar aos seus apartamentos ou residências universitárias.

De acordo com os números citados, os casos conhecidos envolvem pagamentos que alcançaram já 3,2 milhões de dólares australianos (cerca de 2 milhões de euros). Só uma família, entregou mais de 1,2 milhões de euros para ‘salvar’ o seu filho.

Fonte da polícia de Nova Gales do Sul, citada pela CNN, sublinha que as redes criminosas em questão aproveitam a vulnerabilidade desta comunidade, geralmente jovens sozinhos, afastados da família e a procurarem adaptar-se a um ambiente desconhecido. Geralmente existem na Austrália, a cada ano, entre 200.000 e 210.000 estudantes chineses, segundo dados oficiais.

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