Facebook remove 35 contas ligadas à família Bolsonaro por comportamento inautêntico para espalhar fake news

Símbolo de curtida do Facebook em muro na sede da empresa na Califórnia

Símbolo de curtida do Facebook em muro na sede da empresa na Califórnia. Crédito: Getty Images

Nesta quarta-feira (8), o Facebook anunciou a remoção de 35 perfis brasileiros por comportamento inautêntico ordenado para espalhar notícias falsas e ataques a adversários políticos. Segundo a rede, estas contas espalhavam discurso de ódio e tinham relação com a família Bolsonaro e ao PSL (Partido Social Liberal).

Trocando em miúdos, o Facebook removeu 35 contas, 14 páginas, 1 grupo do Facebook e 38 contas do Instagram que estavam, segundo comunicado da rede, “criando pessoas fictícias fingindo ser repórteres” e fazendo “publicações de conteúdos e gerenciamento de páginas fingindo ser veículos de notícias”.

O problema deste tipo de atividade é que os perfis poderiam divulgar mensagens coordenadas, como se tudo viesse de veículos de comunicação distintos e independentes, ocultando quem eram os administradores dessas páginas.

A rede informa ainda que os conteúdos publicados nessas páginas “eram sobre notícias e eventos locais, incluindo política e eleições, memes políticos, críticas à oposição política, organizações de mídia e jornalistas”. Alguns desses conteúdos foram excluídos automaticamente pela plataforma por violarem os Padrões da Comunidades, incluindo discurso de ódio.

Imagens compartilhadas por perfis excluídos pelo FacebookImagens compartilhadas por perfis excluídos pelo Facebook

A disseminação dessas postagens era feitas por pessoas que tentavam ocultar identidades e a coordenação das atividades, de modo que parecessem orgânicas.

“Nossa investigação encontrou ligações a pessoas associadas ao PSL e a alguns funcionários nos gabinetes do deputado Anderson Morais [PSL-RJ], da deputada Alana Passos [PSL-RJ], do deputado Eduardo Bolsonaro [PSL-RJ], do senador Flávio Bolsonaro [Republicanos-RJ] e do presidente Jair Bolsonaro [sem partido]”, diz a empresa.

Apesar da ligação com políticos, Nathaniel Gleicher, chefe de cibersegurança do Facebook, disse à Reuters que não há evidências de que os próprios políticos operaram estas contas. “O que podemos provar é que funcionários destes políticos estavam envolvidos com este tipo de comportamento em nossas plataformas”.

Em seu anúncio, o Facebook ressalta que o problema é a tentativa de ocultação de atividade. “Quando investigamos e removemos tais operações, nos concentramos no comportamento, e não no conteúdo — independentemente de quem esteja por trás dessas redes, qual conteúdo elas compartilham, ou se elas são estrangeiras ou domésticas.”

Este modus operandi não é novo no Facebook. Nas últimas eleições, em 2018, a plataforma promoveu uma exclusão parecida, só que com perfis relacionados ao MBL (Movimento Brasil Livre).

Desde o escândalo da Cambridge Analytica, o Facebook tem sido alvo de escrutínio pela sua falta de ação para coibir discurso de ódio e para monitorar de forma mais efetiva violação de suas políticas. Recentemente, essas críticas resultaram em um boicote de uma série de empresas, que disseram que iriam deixar de anunciar na rede social.

No Brasil, a classe política conduz a CPMI das Fake News para investigar “ataques cibernéticos que atentam contra a democracia e o debate público; a utilização de perfis falsos para influenciar os resultados de 2018”, entre outras ocorrências. O deputado Eduardo Bolsonaro chegou a pedir o fim da comissão parlamentar, porém a ação foi rejeitada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Nem chegou o período de campanha eleitoral direito e já temos um anúncio destes do Facebook. Imagine só quando nos aproximarmos das eleições municipais, que deverão ser realizadas em novembro.

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