Justiça concede liberdade a adolescente que matou Isabele Guimarães

Caso Isabele Guimarães: menina que disparou arma de fogo em condomínio de luxo ficou apenas um dia apreendida

Isabele Guimarães

Isabele Guimarães

A menina de 15 anos que atirou à queima-roupa no rosto de Isabele Guimarães Ramos, de 14, ficou apenas um dia apreendida em isolamento no Case (Centro de Atendimento Socioeducativo Feminino de Cuiabá), localizado no Complexo Pomeri.

Filha de empresário, a menor de idade está respondendo na Justiça por ato análogo a homicídio doloso (quando há intenção de matar). O crime aconteceu em um condomínio de luxo em Cuiabá (MT).

A apreensão dela foi determinada ontem pela juíza Cristiane Padim, da 2ª Vara da Criança e da Juventude de Mato Grosso, que acolheu pedido de recolhimento do MPE (Ministério Público Estadual), mas hoje a defesa conseguiu um habeas corpus para adolescente responder pelo ato análogo a homicídio em liberdade.

Na manhã de ontem, a Justiça expediu mandado de apreensão contra a adolescente. Na tarde de ontem, ao receberem a determinação da Justiça, policiais da Deddica (Delegacia dos Direitos da Criança e do Adolescente de Cuiabá) tentaram cumprir o mandado de apreensão, mas não conseguiram localizar a adolescente no endereço dela.

O mandado de apreensão determinava que a adolescente ficasse internada, provisoriamente, pelo período de 45 dias. A apreensão da garota ocorreu após longa negociação com a defesa dela. Ela se apresentou por volta das 20h à Dedicca acompanhada dos pais e de seu advogado. Depois da realização de procedimentos legais na delegacia, a menor foi levada para o Instituto Médico Legal de Cuiabá para se submeter a exame de corpo delito para dar entrada no lar da Menina Moça, no complexo Pomeri.

Segundo a Sesp-MT (Secretaria de Estado de Segurança Pública), a adolescente foi colocada em isolamento no Case, separada das demais internas do centro de recuperação, pois o local está seguindo o protocolo de prevenção ao novo coronavírus.

A regra é que novas internas passem sete dias em isolamento para monitoramento das condições de saúde e possíveis sintomas da covid-19. Após o período, a adolescente seria integrada à rotina da unidade, junto com as demais adolescentes, caso não tivesse conseguido o habeas corpus.

Relembre o caso

Isabele foi morta com um tiro de pistola 380, que perfurou a narina e saiu pelo crânio, na noite do dia 12 de julho, quando foi convidada pela colega, que tem 15 anos, para fazer um bolo. As meninas moravam em um condomínio de Cuiabá e Isabele costumava frequentar a casa da amiga.

Há suspeita de que a cena do crime foi modificada, pois duas testemunhas relataram, durante oitivas, que a limpeza do espaço em que o corpo estava era incompatível com o local de uma morte com tiro na cabeça, pois há grande derramamento de sangue. Além disso, testemunhas relataram que a arma de onde partiu o disparo que atingiu Isabele não estava no local próximo ao corpo, e outros armamentos, que estariam em uma mesa, foram recolhidos durante a chegada do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Isabele morreu antes de receber o socorro do Samu. O pai da menor investigada fez um telefonema para o Samu afirmando que Isabele tinha levado uma queda e batido com a cabeça no chão do banheiro. Ainda na ligação telefônica, o empresário disse que a adolescente estava perdendo muito sangue, contrariando a cena que foi encontrada pelo médico neurocirurgião Wilson Guimarães Novais.

Durante o inquérito, 24 pessoas foram ouvidas pelos delegados que realizaram oitivas. A polícia informou que após a conclusão do laudo da reprodução simulada, que está sendo produzido pela Politec, os delegados que presidem o inquérito irão analisar se serão necessários novos depoimentos. A adolescente investigada do disparo não participou da reprodução simulada. A defesa dela alegou que ela estava sem condições psicológicas de vivenciar o ocorrido.

Segundo a denúncia do MPE, órgão entendeu que a adolescente cometeu ato infracional análogo ao crime de homicídio doloso contra a vítima, conforme indiciamento em inquérito policial, e denunciou o caso a Justiça.

A Polícia Civil concluiu que arma que disparou contra Isabele foi acionada pela adolescente depois que peritos constataram que o gatilho foi acionado e, “no ato do disparo, o agente agressor posicionou-se frontalmente em relação à vítima, sustentou a arma a uma altura de 1,44 m do piso.”

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