Leo Ladeia: de vendedor de cerveja e conserva ao comunicador mais eclético da televisão rondoniense

Passou pela distribuidora Souza, Taquigawa e foi até funcionário público estadual e de repente, se viu transformado em comunicador articulista de rádio, jornal impresso e televisão do estado de Rondônia.

Domingo, 03 de Outubro de 2021 – 11:24

Uma das pessoas mais carismáticas residentes em Porto Velho (RO). Esse é o baiano Leo Ladeia que chegou a Porto Velho como gerente do Posto da Sadia, depois de ter sido executivo da cervejaria Brahma em Cuiabá. Passou pela distribuidora Souza, Taquigawa e foi até funcionário público estadual e de repente, se viu transformado em comunicador articulista de rádio, jornal impresso e televisão do estado de Rondônia.

Esse é o Leo Ladeia que enquanto gerente da Sadia ajudava as escolas de samba Caiari e Diplomatas doando ingredientes para feijoada; esse é o Leo Ladeia que chegou junto com sua esposa Tetê e amigos como João do Vale a coordenar um desfile da Banda do Vai Quem Quer. “Foi o maior prejuízo, mas, deixamos a logomarca que identifica o bloco”. É o Leo Ladeia um humorista nato e amigo de todas as horas. Esse jovem ancião, é o nosso entrevistado de hoje.

Zk – Qual seu nome completo e cidade/estado onde nasceu?

Leo Ladeira – Meu nome é Leo Ladeia e antes de ser homem sou torcedor do Bahia, depois sou homem, nasci na cidade de Itororó em Salvador (BH). Na realidade, não conheço a cidade, nasci lá e logo fui pra Minas Gerais, uma cidade chamada Nanuque e fiquei por lá até meus pais voltarem pra Bahia. Nasci em 1949, no dia 28 de agosto, dia de Santo Agostinho autor de celebre frase: “Convertam-me, mas, não tão logo”.

Zk – O que sei, é que você começou como artista músico. Fala sobre essa fase?

Leo Ladeira – Quando cheguei em Salvador eu era inocente, puro e besta. Eu tinha uma bicicleta velha cujo freio era contra pedal e troquei essa bicicleta por um violão. Menino de interior gosta muito de fazer esses rolos; trocar passarinho por garrafa de cachaça, tudo isso. Bom, peguei o violão e não sabia tocar, foi então que vi um cara chamado Jorge Matos que tocava violão mal pra caramba, foi por isso que aprendi errado.

Eu ficava olhando ele fazer as notas e mais, ele gostava mesmo era de fazer baixaria e eu tentei aprender a baixaria, mas, é muito difícil e desisti. Aprendi a tocar guitarra e baixo, construí um baixo porque naquela época era difícil você comprar, então vi o desenho e fiz um baixo e então montamos uma Banda Cujo nome era: “Loucos Sem Destino” – LSD.

Zk – Você participou, musicalmente falando, do início do Axé. Foi isso?

Leo Ladeira – Taí uma coisa interessante. Eu morava numa cidadezinha chamada São Sebastião do Passé e tinha um cara Chamado de Orlando e ele começou a construir uns caminhões elétricos, já tinha Dodô e Osmar e ele começou a fazer esse negócio. Ele trabalhava na Coelba, ele eletrificava o caminhão chamava os músicos e tocava lá em cima. Naquela época não tinha ninguém cantando, era frevo e chorinho, tudo num ritmo bem animado. Era bateria, violão de seis e de sete cordas e cavaquinho, eletrificados. Aquilo que o Dodô e Osmar inventaram no início da década de 1950. Nessa minha cidade, conheci pela primeira vez um Trio Elétrico e eu adorei aquilo. Sou até hoje doido pelo Trio Elétrico Instrumental. Quando ligaram microfone, foi uma outra coisa.

Zk – E o Axé? 

Leo Ladeira – Essa coisa do Axé eu vi nascer. A história é a seguinte: Os brancos da Bahia queriam seguir os negros. Na Bahia tinha e tem dois grandes blocos: Ilê Aiyê e Os Filhos de Gandhy. Então os brancos queriam fazer um igual, acontece que ali tinha a pegada do negão, tinha os batuques de afoxé.

Leo Ladeia – Os brancos tinham vários blocos: Os Internacionais, Bloco da Banda Eva e foi dessa coisa que nasceu Daniela Mercury, Ivete Sangalo.

Zk – E o Luiz Caldas?

Leo Ladeia – Tem uma história do Luiz Caldas. O Axé era um estilo de letra muito malfeita, mas, deu certo. A Bahia tem uma característica, ela se abastece da própria cultura. E foram surgindo Daniela Mercury, Luiz Caldas, Ivete Sangalo e muitos outros. A história do Luiz Caldas é a seguinte: Ele estava se apresentando num show e quem estava assistindo (presente) esse show? Ivan Souza da Antártica e o Ivan pegava bitucas de cigarro e jogava no palco, só pra ver o Luiz Caldas pulando pra se livrar das bitucas, lembrando que o Luiz se apresentava descalço.

Zk – Falta identificar seus pais, digo, o nome deles?

Leo Ladeia – Meu pai já se foi, se apresentou ao Exército da Salvação. Chama-se seu Juvêncio.  Minha mãe que está com 103 anos, chama-se Laurentina – Dona Loura, ela bebe, cuida de galinha, cuida de casa, mora sozinha e você olha pra ela e não parece que tem a idade que tem.

Zk – Como foi que Rondônia surgiu na sua vida?

Leo Ladeia – Eu era pobre, pobre de ‘marré deci’, morava na Favela lá na Bahia num lugar chamado Nordeste de Amaralina, morei também no Largo dos Tanques espaços extremamente pobres. E viver numa coisa onde a predominância era de negros, me deixou com essa pegada de saber como é que eu devia me livrar. Quer dizer, o ruim aconteceu comigo, o Negão passava por mim e dizia: ‘Amarelo empapuçado não pode subir ladeira, quando sobe é devagar, quando desce é na carreira’.

Zk – E Rondônia?

Leo Ladeia – Eu entrei na Brahma quando tinha 22 anos, e a Brahma foi pra mim, uma escola de vida. Ela me deu uma formação de administração, me deu gente pra ajeitar minha cabeça que era desarrumada, me mandaram de um lado pro outro e naquela época, terminei indo para Cuiabá onde fiquei dois anos e meio. Foi quando conheci o pessoal da Sadia e eles me convidaram para trabalhar com eles. Naquela época a Brahma estava passando por um processo de transformação que ia terminar com a fusão da Antártica e eu detestava essa ideia. Foi então que aceitei o convite da Sadia.

Zk – Deixou de vender cerveja e foi vender carne?

Leo Ladeia – Fui vender o tira-gosto. A Sadia e estava querendo dominar o mercado de carne no Brasil e eles tinham aqui, um Posto de Venda e eu vim aqui levantar a venda do Posto e depois vender, acontece que eu quadrupliquei as vendas, foi um dos momentos mais fortes da Sadia em Rondônia. Tinha a Friamberia onde a gente atendia os fregueses de Porto Velho, você foi um dos nossos clientes, comprando ingredientes para a Feijoada da escola de samba Caiari e o Maracanã para a Diplomatas. Trabalhei também na Takigawa que vendia frango, quer dizer: deixei de vender cachaça e fui vender comida. Depois de algum tempo montei uma empresa que era representante da Santista Alimentos. A Santista Alimentos foi vendida para uma empresa Argentina chamada Boom de Alimentos. A Boom tirou todos os produtos bons que eu vendia e me deixou só com Farinha de Trigo resultado, tive que parar e decidi ficar um tempo quieto.

Leo Ladeia – Na hora que parei esse negócio eu fiquei desempregado, não tinha pra onde ir, fiquei pensando o que eu ia fazer na vida e então me aparece duas figuras que até hoje tenho uma amizade muito forte João do Vale e Aires do Amaral. Aires do Amaral namorava a Alcina Athala que é madrinha do meu neto João Pedro e aí ele foi lá em casa no dia do aniversário do João Pedro, conversa vai, conversa vem, ele me disse: “Rapaz tem um cara que quer te contratar”. Eu estava trabalhando como frila num espaço ao lado da RedeTV onde ficava a Folha de Rondônia e a gente estava em mudança para a sede no Centro, ao lado da Escola da ALE na rua Afonso Pena. O cara era o Everton Leone. Fui lá com o Everton e esperei que ele me convidasse, eu achava que ele estava me contratando para vender comercial. Na realidade o que ele queria era que eu fosse apresentar um programa que ele já tinha desenhado na cabeça que era o “Sala Vip” e eu fui pra lá. Aí fiquei no Jornal A Folha de Rondônia e a TV Candelária. Trabalhei três dias com o Sergio Melo e quando chegou o terceiro dia ele falou: “Professor, você já pode fazer o programa sozinho”.

Zk – E o teu conhecimento com o Manelão?

Leo Ladeia – Aí foi quando fui trabalhar na Antártica. O Ivan de Souza foi um cara que conheci logo que cheguei aqui, ele a Bernadete, Zé Geraldo, Zé dos Parafusos. Eu comprava boi pra Sadia abater. O Manelão foi amor à primeira vista, quando vi aquele cara daquele tamanho com o coração maior do que ele, aí eu sabia que Deus estava me dando o irmão que eu não tinha dentro de Rondônia. Posso garanti pra você que minha relação com o Manelão e com o Anisinho Gorayeb é uma coisa de Deus não tem como explicar o amor que tinha pelos dois. E era assim, a minha mulher é apaixonada pelo Manelão o Anísio ela não teve a oportunidade de conhecer muito mais. Ela era doida pelo Manelão tanto, que no dia que ele morreu, ela mandou comprar 500 paus de fogos de artifícios e soltou lá dentro do cemitério. Basta lembrar que o enterro do Manelão foi um desfile carnavalesco e ela ajudou a realizar aquilo. O Manel ia lá pra casa e ficava conversando até de madrugada. A gente enchendo a cara de café e água. Na hora que vi a Banda do Vai Quem Quer fiquei doido, me lembrei dos blocos de sujo do Rio de Janeiro e dos blocos de sujo da Bahia, me lembra o que é o carnaval do povo.

Zk – Vocês chegaram a comandar um desfile da Banda. Digo a empresa de você?

Leo Ladeia – Deu um preju do tamanho do cacete. Investimos 20 paus e não lucramos nada. A única coisa que nos deu muita satisfação foi que deixamos uma marca. A Logo Marca que muitos pensam até hoje que fomos nós que criamos, porém, seu criador foi o Paulo que trabalhava na Oana Publicidade. O Manelão de imediato não gostou. “Não vou colocar minha cara em camiseta de carnaval”, respondi pra ele: Olha aqui seu ‘fela da puta’, estamos lhe dando uma coisa que vai ficar para o resto da vida da Banda de graça. Não vou lhe dar só isso: Vai ser isso, mais o Abadá diferenciado com chapeuzinho e short. E o Manel depois que disse que ia dar tudo aquilo e mais uma música, ele concordou.

Zk – Você hoje você é considerado um grande jornalista. Vamos concordar, você é respeitadíssimo no meio da comunicação. Quer explicar?

Leo Ladeia – Dei sorte, peguei um grande professor o Everton Leone. Foi assim: Fui trabalhar com o Everton. Trabalhei 14 anos com ele e na hora que não queria mais, eu sempre fui o cara de demitir o Patrão. Na hora que não me sentia bem no ambiente ia embora, mas, o Everton foi um cara que ensinava de uma forma diferente. Quando você errava ele não o reprovava na hora, porém, quando você fosse fazer algo novamente ele dizia: “Não repita o que você fez daquela vez”, peguei muito essa linha dele. Outra coisa, comecei tarde nessa área, com 54 anos. Já estava de cabelo branco. Essa história da credibilidade você trás da sua vida. O homem é a soma das suas experiências! Eu trouxe isso para mim. Quando você fala no rádio na televisão principalmente aqui em Rondônia que a gente não tem medição de audiência, mas, você sabe quem é que está lhe ouvindo. Eu não posso pegar aquela pessoa que me acompanha e contar uma mentira, pedir um dinheiro a alguém para falar bem dele; ou pedir dinheiro para não falar mal dele.

Zk – Nessa sua história você só não foi funcionário público?

Leo Ladeia – Fui! Quando eu saí da Taquigawa antes de trabalhar na Antártica, fiquei rodado uns seis meses e eu devia aluguel, empregada, não estava num melhor momento. Um cara chamado Oscar Andrade com quem eu tinha uma relação muito próxima, virou e disse assim: Tu tá ruim de vida né e eu respondi: To mais quebrado que arroz de terceira e ele falou: vou te arranjar um emprego. Eu pensei que eu fosse trabalhar lá nos ônibus da empresa dele, não, ele me arranjou um emprego no Porto era transporte fluvial e o chefe era o Paulinho Rodrigues com quem eu tenho um laço de amizade muito grande, fiquei lá com ele por um ano. Foi quando o governo de José de Abreu Bianco saiu e entrou o Cassol e o estilo do Cassol não me agradou. Resultado, disse pra mim mesmo: Rapaz eu não sirvo pra trabalhar em Serviço Público, todo dia você bate o   carimbo, anota a mesma coisa no mesmo pedaço de papel, não é produção, aí eu saí e fui tocar minha vida. Foi aí que entrei na Folha de Rondônia e comecei a escrever alguns artigos.

Zk – Como foi que você foi parar no Grupo SGC?

Leo Ladeia – Saí da Record depois de 14 anos. Sabe aqueles pequenos aborrecimentos, as vezes é um negócio pequeno, não vou falar o que que houve, mas, vou dizer algo que as pessoas podem entender. Eu tive um aborrecimento com uma pessoa, por causa de uma fruta que detesto, eu não como ingá, acho até uma fruta bonita, mas, não gosto. Terminei me aborrecendo, foi aí que disse: Não vou deixar passar nenhum um milímetro isso aqui, isso aqui foi o limite. Isso aconteceu numa quarta-feira e na sexta-feira pedi demissão.

Leo Ladeia – Há alguns anos me encontrei com o Lubiana num evento no Hotel Slaviero durante um encontro com o pessoal da Santo Antônio Energia. Eu mal conhecia o Lubiana e ele virou pra mim e disse: Quando é que você vai trabalhar comigo? Respondi, é só você chamar. Isso durou uns dois anos. No dia que saí da Record eu não me lembrava dessa conversa com o Lubiana mas, eu queria fazer um programa de televisão no mesmo horário que fazia antes no horário da noite, que é esse que faço aqui. Vim na RedeTV com a intenção de comprar o horário e o Lubiana disse: Não vou vender o horário pra você não, porque lá na frente se você não puder me pagar eu vou botar você pra fora. Faz o seguinte, vem trabalhar comigo. Melhor do que isso não tem. Aí vim para cá e em 20 dias, o primeiro cenário ficou pronto. E o nome do programa, depois do Lubiana pesquisar, achou por bem colocar o nome de “Leo Ladeia”. 

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