MAM passa o colonialismo a limpo, com palestra de Murilo Salles e Ruy Guerra

Cena de ‘Mueda’: Moçambique na tela

Rodrigo Fonseca

Dois titãs da imagem, de gerações cronologicamente distintas, mas afinadas no desejo de tirar a linguagem audiovisual da letargia, Murilo Salles e Ruy Guerra terão um encontro para falar de narrativas e uma geopolítica que marcou ambos, a de Moçambique, neste sábado, às 17h15, na Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM). Mediado por Hernani Hefner, o colóquio ministrado por eles é a cereja da mostra Filme Revisitado, Sempre Um Novo Filme – Cinema e Descolonização, organizado pela cineasta Anna Azevedo, na telona do MAM de sexta a domingo. Às 14:30 do sabadão, será exibido “Estas são as armas”, filmado por Murilo em 1978, em solo moçambicano. Às 15h45, é a vez de uma rara projeção de “Mueda, memória e massacre”, finalizado por Ruy em sua África natal entre 1979 e 1980. Em seguida, os dois diretores conversam sobre ranços coloniais e revoluções.

A retrospectiva começa nesta sexta, às 16 horas, com a projeção de “Nuestra voz de tierra, memoria y futuro”, documentário colombiano de Marta Rodríguez e Jorge Silva, terminado em 1982. Às 17h40 deste 10 de maio rola uma conversa acalorada no evento, com o tema: O novo cinema latino-americano – a voz de lutas, de deuses e de diabos. A mesa reúne Sergio Muniz, Camila Freitas e Marta Rodríguez (em participação por vídeo), e inclui a apresentação de trechos do filme “Chão”. Este foi dirigido por Camila e exibido no último Festival de Berlim. Para o domingo, dia 12,  foi programado, às 15h, “Spell reel”, de Filipa César (Guiné Bissau, 2017) . Na sequência, às 16h45, tem sessão de “Kuxa kanema: o nascimento do cinema”, de Margarida Cardoso, filmando em Moçambique, 2003.

São filmes que dialogam com a realidade brasileira, país que também passou por processo de colonização e ainda hoje vivencia os reflexos do processo colonial. Por isso convidamos Camila Freitas, por exemplo. Realizadora do filme ‘Chão’, um filme brasileiro ainda inédito no país e que parece irmão do filme colombiano ‘Nuestra voz de tierra’, feito em 1980”, explica Anna Azevedo, que tem no currículo filmes aclamados como “BerlinBall”.O ’Chão’ estreou no Festival de Berlim, em fevereiro, na mesma mostra da cópia restaurada de ‘Nuestra voz’, a Fórum. Desde então, esses dois filmes vem sendo programados juntos, em outros festivais. Ou seja, a America Latina continua vivendo os mesmos problemas, ainda temos as nossas veias abertas”.

p.s.: Laureado pela Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica (Fipresci) em Cannes, na Quinzena dos Realizadores de 2017, “A Fábrica de Nada”, de Pedro Pinho, um genial mosaico de fábula e fato, com números musicais e sequências documentais, entrou na grade do Telecine Cult: a próxima exibição vai ser no dia 18, às 11h20.

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