MP brasileiro investiga alegados pagamentos de grupo criminoso a membros do PT

O Ministério Público (MP) de São Paulo e a polícia brasileira estão a investigar alegados pagamentos do grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC) a advogados do Partido dos Trabalhadores (PT), após ter sido intercetada uma troca de mensagens.

De acordo com a rede de televisão “Record”, a investigação surgiu depois de mensagens encontradas no telemóvel de um dos membros do PCC, Décio Gouveia Luiz, preso desde agosto, indicarem pagamentos de 3,2 milhões de reais (710 mil euros) efetuados pelo PCC a advogados do PT.

Segundo a reportagem da “Record”, o dinheiro do pagamento a advogados “teria sido usado para mover ações no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Organização dos Estados Americanos (OEA), com o objetivo de derrubar uma portaria do Ministério da Justiça que endureceu as regras nas penitenciárias federais”.

Um dos advogados do PT visados nas mensagens é Geraldo Luiz Mascarenhas Prado, suspeito de ter recebido 1,5 milhões de reais (cerca de 330 mil euros) do PCC para entrar no STF com a ação contra a portaria do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que aumenta as restrições a visitas nas prisões.

O advogado, que integra a defesa do ex-presidente brasileiro Lula da Silva, nega as acusações.

De acordo com as mensagens, um milhão de reais seria ainda destinado ao advogado Carlos Nicodemos, cujo objetivo era mover na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA uma ação contra a mesma portaria.

O Instituto Anjos da Liberdade, uma organização não-governamental (ONG) do Rio de Janeiro, também receberia 700 mil reais (155 mil euros) para arguir no mesmo sentido.

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, partilhou a reportagem da “Record” nas redes sociais, tendo sido posteriormente acusado pelo PT de utilizar aquela rede de televisão para divulgar “fake news” (notícias falsas).

“Não é de hoje que Bolsonaro utiliza fake news para tentar esconder tudo o que faz (e fez) de errado no seu desgoverno e para proteger filhos e amigos milicianos. Agora, Jair utiliza a TV Record, sua aliada de primeira hora, na dispersão de fake news em rede nacional”, disse o PT no seu site.

“O principal objetivo é desviar o foco do novo escândalo que atingiu o seu governo: um ex-assessor do Ministério do Turismo disse que a fraude eleitoral do Partido Social Liberal (PSL) também abasteceu a campanha de Jair Bolsonaro”, acrescentou o PT.

O Ministério Público Eleitoral do estado brasileiro de Minas Gerais acusou na semana o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, de desvios de recursos do fundo eleitoral de 2018, do PSL, formação política que no ano passado levou ao poder o atual Presidente do país, Jair Bolsonaro.

Contudo, segundo o jornal “Folha de São Paulo”, também a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro saiu beneficiada com esse desvio de verbas.

“Vale lembrar que a rede Record é uma concessão pública, na qual está vedado o uso político. Porém, a quantidade de verba investida por Bolsonaro na Record parece ter um grande peso nas decisões editoriais. Até abril deste ano, Bolsonaro aumentou em 63% os gastos com publicidade sendo a Record a que mais foi beneficiada (…). Além disso, o faturamento publicitário da Record junto à Secretaria Especial de Comunicação teve aumento de 659%”, declarou o PT para justificar a reportagem em causa.

A Rede Record é propriedade do bispo Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), que declarou apoio à candidatura de Bolsonaro à Presidência do Brasil em setembro do ano passado, evidenciou ainda o PT.

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