Mulheres Positivas: Dra. Juliana Giorgi

Por Mulheres Positivas

29/05/2019, 16h28

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Foto: Arquivo pessoal

Nossa mulher positiva é a Dra. Juliana Giorgi, cardiologista brasileira que domina a técnica de implantação e manejo do coração artificial, sendo a responsável pelo primeiro implante do modelo mais moderno, HeartMate 3, no Brasil, em março de 2018, no Hospital Sírio Libanês. Esse feito inédito, mudou a vida de um paciente de 72 anos que não podia ser transplantado, mas queria envelhecer para ver seus netos se formarem na graduação.

Formada pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica – PUC-SP e com passagens pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e pelo Instituto do Coração (INCOR) do Hospital das Clínicas da FMUSP, a especialização da Dra. Juliana sempre foi feita em centros e estudos e pesquisa do exterior. Desde o quarto ano de sua graduação, quando realizou seu primeiro estágio no Lenox Hill Hospital, em Nova York, ela viaja frequentemente em busca de atualização e novas tecnologias quando o assunto é Cardiologia.

A médica é uma apaixonada por inovação e tecnologia e está em constante busca de métodos para incrementar tratamentos e salvar vidas. Dra. Juliana trabalha em conjunto com a BioArchitects, startup brasileira que usa a tecnologia para trazer soluções inovadoras em realidade virtual e impressão de órgãos tridimensionais para diagnósticos precisos, programações cirúrgicas em casos de extrema complexidade e para ensino de outros profissionais da saúde em congressos nacionais e internacionais. Confira sua trajetória a seguir.

Por que decidiu virar cardiologista? 

Venho de uma família que a cardiologia é tida como um estado da arte. Desde muito pequena acompanhei meu pai e fiquei encantada pela sua anatomia e funcionalidade. Um órgão vital, enérgico e com tantos significados.

Como é trabalhar com órgãos artificiais? 

É desafiador. Os órgãos artificiais estão em constante desenvolvimento numa busca da perfeição. Isso exige muita dedicação e estudo científico, ainda mais em um país com tantas dificuldades financeiras na área da saúde. Vou aos EUA a cada 3 – 4 meses para participar de fóruns de discussão, conferencias mundiais e vivências observacionais em grandes hospitais para me manter atualizada e principalmente motivada. Com isso, consigo trazer o que há de mais novo e moderno para meus pacientes e indicar como contraindicar os corações artificiais com maior precisão. A experiência internacional nesse assunto está muito avançada em relação ao Brasil.

Quais as maiores dificuldades que encontra para trabalhar com corações artificiais no Brasil?

Estamos em um país com deficiência básica na saúde, com comprometimento no saneamento básico e controle de doenças infecto contagiosas, como sarampo, dengue e sifilis. Mas eu acredito que temos por obrigação exigir organização, investimento e combate à corrupção para dar conta desses opostos. O básico é fundamental tanto quanto a tecnologia de ponta que também salva muitas vidas. Devemos dar a mesma atenção ao paciente que corre risco de vida por sarampo ou por infarto. São vidas!

Sente que esse mundo dos órgãos artificiais é muito masculino ou não tem mais isso?

em dúvida é um universo masculino, como toda especialidade médica diferenciada e de muita tecnologia.

Qual foi o momento mais difícil da sua carreira? 

O momento mais difícil foi manter a minha mente centrada e confiante na minha capacidade técnica na batalha do coração artificial no Brasil e não me abalar aos comentários machistas de colegas de profissão, seja no Brasil ou no exterior, de que sou jovem, mulher e bonita, como se esses atributos não me permitissem ser competente ou que essas eram as bases das minhas conquistas.

Qual o seu maior sonho? 

Não seria feliz com a conquista de um sonho em um só campo!

Profissional: reduzir a fila de transplante de coração no Brasil de maneira impactante com a disponibilidade global de coração artificial sem ter que torcer para que pessoas morram para que outras sobrevivam.

Pessoal: Acompanhar de perto as conquistas dos sonhos do meu filho.

Qual a sua maior conquista? 

Ser a médica responsável pelo implante do primeiro HeartMate 3 no Brasil. O dispositivo mais moderno disponível no mundo, que possui os melhores desfechos clinicos e taxas de sobrevida em um paciente com 72 anos, muito grave mas com muita vontade de viver. Fiquei dias lutando contra o tempo para a chegada desse aparelho no Brasil através da Policia federal e da liberação da ANVISA além da organização do treinamento de uma equipe enorme de profissionais para tornar isso possível.

Livro, filme e mulher que admira?

Mulher : Fernanda Montenegro – inovou e desbravou fronteiras na sua época- orgulhou o Brasil no exterior – chegou a velhice com inteligência, dignidade, bagagem e fazendo o que gosta com maestria.

Filme: Cinema Paradiso – Guiseppe Tornatore.

Livro: Homens sem Mulheres – Haruki Murakami

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