Na falta de álcool, PSP desinfeta com água e lixívia. “Na guerra e nos tempos de crise, temos de nos desenrascar”, diz diretor nacional

Diretor diz que recomendação foi da DGS: uma porção de lixívia, nove de água. É o que a PSP está a usar para desinfetar mãos, carros e esquadras. Kits com máscaras foram feitos com sacos de congelação

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O superintendente-chefe Magina da Silva encomendou viseiras cirúrgicas adaptadas para os polícias a um fabricante em Sintra

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O superintendente-chefe Magina da Silva encomendou viseiras cirúrgicas adaptadas para os polícias a um fabricante em Sintra

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O diretor nacional da PSP assumiu, na noite de segunda-feira, que, como não existe álcool para desinfeção, os polícias estão a usar uma mistura de água e lixívia para desinfetarem as mãos, os carros e todas as superfícies de trabalho. A opção encontrada, segundo o superintendente-chefe Magina da Silva, foi aconselhada pela própria Direção Geral de Saúde. “Na guerra e nos tempos de crise, temos que nos desenrascar”, afirmou no programa Prós e Contras, transmitido pela RTP.

Magina da Silva falava nas medidas implementadas na PSP para proteger os seus profissionais — 11 estão já infetados pelo novo coronavírus —, uma vez que estão “na frente de combate” e não podem fazer teletrabalho. Além de ter implementado um sistema de turnos, que dividiu a polícia em dois grupos e permite que os agentes não se cruzem uns com os outros, o diretor nacional precisava também de garantir a desinfeção dos espaços e dos próprios profissionais. “O gel desinfetante não existe. Está esgotado. Ponto final. Então fazêmo-lo com lixívia, numa proporção de uma de lixívia e nove de água, e temos milhares de vaporizadores espalhados por todas as viaturas e por todos os locais de trabalho“, disse, afirmando que essa foi uma “orientação muito concreta” da própria DGS.

Além disso, e já depois de várias associações sindicais da polícia terem alertado para a falta de equipamento de proteção individual, a PSP encontrou  uma solução “criativa” (palavras do diretor nacional) para entregar kits de proteção individual a cada elemento policial. “Quando fomos ao mercado, as máscaras e as luvas já estavam esgotadas. Em 13 de março, distribuímos 15 mil equipamentos de proteção individual, constituídos por um kit fechado. Fizemo-lo nós porque descobrimos que as máscaras vinham a monte numa caixa. Então, comprámos 25 mil sacos de plástico para congelar, perante supervisão do médico, e embalámos os 15 mil kits individualmente“, afirmou.

Esta terça-feira, segundo anunciou, seriam distribuídos mais 6.470 kits de proteção e 5 mil pares de óculos.”Não vale a pena dizermos que todos os polícias deviam usar uma máscara e deitá-la todos os dias fora. Não temos equipamentos para isso!”, assumiu, explicando que foram estabelecidas regras na utilização deste recurso. Pelo menos, até o “jovem empresário Adriano Lourenço”, que tem 72 anos e que tem uma fábrica de policarbonatos em Sintra, ter prontas uma espécie de viseiras cirúrgicas, que os médicos usam, adaptadas para a polícia. “Comprámos 19.500 e ele oferece 500”, contou Magina da Silva no programa de debate da RTP.

Magina da Silva falou ainda na necessidade de os testes ao Covid-19 deverem ser prioritários para os polícias. Não que queiram ter um tratamento especial, mas, atualmente, já estarem 11 polícias infetados e 290 de quarentena. O que significa que, se os números escalarem, os agentes vão começar a faltar nas ruas.

“Se esta proporção continuar, poderá ser comprometida a segurança. Os polícias têm que ter prioridade no acesso aos testes, para que não paralise. Em muitos sítios, estamos a ter acesso prioritário aos testes, prevê -se que seja a nível nacional. Os policia só querem trabalhar”, disse.

O diretor nacional da PSP lembrou também que, depois de declarado o estado de emergência, os polícias estão focados em manter em casa os cidadãos infetados — sobre os quais recebem listas diárias das autoridades de saúde. “Essas pessoas têm de ficar em casa e, se não o fizerem, incorrem num crime de desobediência”, lembrou.

Um segundo grupo debaixo de olho são os cidadãos maiores de 70 anos e com doenças crónicas, para tentar evitar que sejam contagiados. “Ao contrário do primeiro grupo, não estão impedidos de sair. Este grupo tem que ser protegido. Podem sair em algumas circunstâncias, seja para irem buscar alimentos, à farmácia…”, explicou. Nestes casos, a intervenção é mais pedagógica.

Depois são controlados os restantes cidadãos e os estabelecimentos comerciais.

“O decreto prevê o passeio higiénico, o passeio dos animais, o ir para o trabalho. O que temos feito nesta primeira fase é sensibilizar e explicar às pessoas o que podem e não podem, porque as pessoas não leram o decreto”, diz.

O diretor nacional da PSP reconhece que há situações em que os cidadãos “não se deixam sensibilizar”  e as “forças de segurança não têm outro caminho senão detê-los”.

É o que também tem acontecido com a GNR. No mesmo programa, o comandante geral da Guarda, tenente-general Botelho Miguel, disse que, na sua área, já foram feitas 9 detenções “em praticamente dois dias”, lembrando que uma delas foi uma pessoa que não cumpriu o confinamento obrigatório em casa.

“Isto é das coisas mais graves que existe e aqui não temos qualquer complacência. Fica detida na própria casa”, disse, depois de um fim de semana em que os militares se viram obrigados a fazer uma grande “sensibilização” nas marginais da Póvoa do Varzim e Vila do Conde, e também no Bom Jesus de Braga, onde tiveram mesmo de encerrar os parques de estacionamento.

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