“Não entrem em pânico. Vírus é relativamente bonzinho”, diz Maria Manuel Mota, diretora do IMM

Maria Manuel Mota, diretora do Instituto de Medicina Molecular, diz ao Expresso que, na sua “opinião pessoal”, é necessário proteger os mais idosos mas não se pode “estagnar” a vida dos mais jovens.

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Maria Manuel Mota, diretora do Instituto de Medicina Molecular (IMM).

Inês S. Albuquerque/IMM

Maria Manuel Mota, diretora do Instituto de Medicina Molecular (IMM).

Inês S. Albuquerque/IMM

A chamada “gripe espanhola” era “um vírus muito mais perigoso, mas viajava de barco — demorou muito mais a transmitir-se” do que o novo coronavírus, que causa a doença Covid-19. Para a investigadora Maria Manuel Mota, diretora do Instituto de Medicina Molecular, “é importante as pessoas não entrarem em pânico: este é um vírus relativamente bonzinho“: é preciso proteger os mais idosos mas, na sua “opinião pessoal”, não se pode “estagnar” a vida dos mais jovens.

Em entrevista ao semanário Expresso, a investigadora que lidera o laboratório que criou os testes “made in Portugal” (que já estão a ser produzidos por 11 instituições nacionais), defende que este é um vírus que “quer viver e vai-se adaptando a viver connosco. E nós vamos ter de adaptar-nos a viver com ele”. Uma coisa é certa: “não é o primeiro, não será o último, temos constantemente vírus nas nossas vidas. Este é mais problemático do que uns e menos do que outros. A capacidade de propagação num mundo global é que foi extraordinária”.

“Temos de ter noção”, diz Maria Manuel Mota, que “praticamente não afeta crianças, adolescentes e jovens adultos“. “E os grupos de risco são pessoas com mais de 70 anos ou com outras complicações de saúde. Embora acima dos 70 anos morrer não seja uma fatalidade, isso não acontece com a maioria desses pacientes. Tivemos o caso, muito bonito, de um idoso com 100 anos que no Hospital de São João recebeu alta passadas quatro semanas”, recorda.

A investigadora defende que é preciso criar “medidas coletivas que protejam em especial estas pessoas [os mais idosos] sem — e esta é a minha opi­nião pessoal — estagnar a vida daqueles de quem depende o futuro”. “Os mais jovens não correm grande risco, e temos de arranjar maneira de que eles continuem a viver a sua vida, não pondo os outros em risco”, argumenta.

A maior parte deles está habituada a ver os avós, senão todos os dias, uma vez por semana. Talvez isto tenha de deixar de acontecer. Acredito que, até ao final do ano, os netos terão de deixar de visitar os avós. No outro dia, Angela Merkel disse que não podemos dar a liberdade toda aos mais jovens e tirá-la aos mais velhos. Eu não concordo, se isto for um modo de os proteger.”

Fechar o país ao longo de um ano ou mais, à espera de uma vacina, não faz sentido, na opinião da investigadora. “Estaríamos a diminuir tremendamente a capacidade dos nossos jovens, com sequelas para o futuro”, salienta, defendendo que “mais cedo ou mais tarde, [será necessário] passar para uma segunda fase”, o que será “difícil, porque são sempre necessários 15 dias para se ver o efeito de uma medida”. “A abertura terá de ser gradual e eticamente responsável“, conclui.

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