Novos dados confirmam que o desmatamento da Amazônia aumentou muito no último ano

Durante meses, o mundo assistiu horrorizado às queimadas da floresta amazônica debaixo dos olhos do presidente de extrema direita do Brasil, Jair Bolsonaro. Novos dados divulgados na segunda-feira agora dão mais contexto à devastação.

O ataque deste ano à Amazônia brasileira resultou nos piores números de desmatamento em uma década. Além disso, 2019 marca o terceiro maior salto no desmatamento em comparação com o mesmo período do ano anterior. As más notícias mostram que o mundo todo pode acabar sofrendo.

A história da crise na Amazônia começa em maio, quando apareceram os primeiros sinais da estação do fogo, que ainda estava por vir. Naquele mês, 738 quilômetros quadrados de floresta tropical foram devastados, sejam por derrubadas ou queimadas.

Nos quatro meses seguintes, a Amazônia viu as taxas de desmatamento do sistema Deter — usado para enviar alertas às equipes de fiscalização — aumentarem cada vez mais, à medida que agricultores e quadrilhas criminosas usavam incêndios para limpar a floresta tropical para grandes interesses do agronegócio.

O novo relatório do Observatório do Clima do Brasil mostra que, com base em dados de satélites do sistema Prodes — que tem resolução maior que o Deter e é usado para dar resultados mais precisos de desmatamento –, 9.762 quilômetros quadrados da floresta tropical foram perdidos durante esse período.

Isso equivale aproximadamente a sete vezes a área da cidade do Rio de Janeiro, ou a uma área do tamanho dos estados de Delaware e Rhode Island, nos EUA, combinados. A área desmatada deste ano é 29,5% maior do que a de 2018. Somente 1995 e 1998 viram saltos anuais maiores no desmatamento.

Apesar de as notícias não serem boas, há que se considerar que, mesmo que o aumento do desmatamento deste ano seja ruim, as taxas gerais nos anos 90 eram muito mais altas. Dito isto, não há como amenizar o quão terrível a situação pode ficar na Amazônia, não apenas para a floresta, mas para as pessoas que vivem lá.

Os interesses do agronegócio que impulsionaram o desmatamento querem essencialmente transformar a Amazônia em um grande pasto para vacas e plantações de grãos de soja. E, como já dissemos, o discurso de Bolsonaro incentiva essas práticas.

Em seus primeiros atos como presidente, ele transferiu a tarefa da demarcação de terras indígenas para o Ministério da Agricultura (decisão revertida pelo STF) e adotou uma abordagem negligente na aplicação das leis ambientais.

Quando confrontado com a realidade de que suas políticas haviam causado tamanha destruição, ele demitiu o chefe do órgão responsável pelos alertas de desmatamento e culpou as ONGs sem qualquer evidência. Mesmo mandando o exército para combater os incêndios após a repercussão negativa, sua política de exploração da Amazônia ainda é bem clara.

Em uma declaração à imprensa, o secretário executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, disse que os próximos anos de desmatamento poderiam ser piores se o governo Bolsonaro continuar avançando na legalização da apropriação de terras, desapropriando grupos indígenas de suas áreas e facilitando a obtenção de licenças pelas indústrias extrativas.

A Amazônia não é o tal “pulmão do mundo” — ela sequestra carbono da atmosfera, mas também libera gases com este elemento em seus processo de decomposição. Mesmo assim, o desmatamento representa uma grande perda de biodiversidade no planeta.

Além disso, a destruição da floresta pode mudar diretamente o clima no sul, sudeste e centro-oeste do Brasil — ela é responsável pelo fenômeno conhecido como “rios voadores”, que contribui para as chuvas nessa parte do País, evitando que essas regiões se tornem um deserto. O avanço da destruição da floresta pode, inclusive, dividi-la em duas partes, sendo uma delas “severamente fragmentada”.

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