“Os partidos à esquerda são estalinistas.” Ascenso Simões, o deputado socialista que se absteve, como Joacine, no voto sobre Gaza

O deputado do PS Ascenso Simões, que se absteve no voto proposto pelo PCP acerca de “nova agressão israelita a Gaza”, considera que “os partidos de esquerda são estalinistas e não lidam bem com a diferença de opinião”. O texto do PCP aprovado na última sexta-feira no Parlamento gerou problemas dentro do Livre, depois de a deputada única do partido, Joacine Katar Moreira, se ter abstido.

Confrontado pelo Expresso, o deputado do PS que tomou a mesma decisão, desalinhado do seu partido, crê que ninguém sabe “olhar para o conflito israelo-palestiniano no seu universo global”. “É uma velha campanha de partidarização do problema, por isso eu abstenho-me sempre”, explica Ascenso Simões, sobre a condenação, proposta pelos comunistas, dos ataques israelitas que causaram este mês 24 mortos, entre eles oito crianças, em Gaza. Para o deputado eleito por Vila Real, “há sempre forma de condenar qualquer dos lados”.

Apesar de garantir não ter tido qualquer problema ou comentário dos camaradas de partido por se ter abstido — “a minha posição é velha e já todos sabem o meu comportamento” —, Ascenso Simões não poupa o próprio PS, sobretudo a ala mais jovem. “No PS também há quem gostasse de reescrever a história do partido, mas enquanto houver um ou dois como eu, isso não vai acontecer.”

Sobre Gaza, Simões lembra o caso de um histórico do PS. “O João Soares votava sempre a favor de Israel, sempre.” Já sobre o Livre, Simões coloca-o na mesma esfera da “extrema-esquerda estalinista”, mas prefere outra designação.“O Livre não é um partido, é uma agremiação de Rui Tavares.”

Esta sexta-feira, 29 de novembro, celebra-se o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano. O texto proposto pelo PCP foi aprovado no Parlamento uma semana antes, com os votos favoráveis de PS (exceto Simões), Bloco de Esquerda, Verdes, PAN e pelo próprio PCP. Recebeu os votos contra de PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega. O texto pode ser lido aqui.

Para Ascenso Simões, que foi secretário de Estado durante o primeiro Governo de José Sócrates (2005-2009), a guerra no Iraque, que começou em 2003, e a crise financeira, iniciada cinco anos depois, criaram “um tempo de frentismo, em que há uma esquerda e uma direita estanques”. O PS, por outro lado, é “um partido charneira, onde tanto vota o eleitor rural católico, próximo da democracia-cristã, como o urbano frequentador do Bairro Alto”, em Lisboa.

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