Os portugueses de Roterdão, de braço dado com o Brasil. Até quando?

Cultura

O nosso país teve uma sólida presença no primeiro grande festival de cinema do ano, em coproduções muito vantajosas com o Brasil, numa altura em que o cinema deste país encara o futuro com grande desânimo

A segunda longa-metragem de João Nuno Pinto, “Mosquito”, não foi a única obra portuguesa a fazer-se notar no último Festival de Roterdão, que encerrou no passado fim de semana. Filme de época produzido por Paulo Branco (chega às salas a 5 de março), teve uma parceria que envolveu a francesa Alfama Filmes (do mesmo produtor), Moçambique e Brasil. Ora, é curioso notar que houve outros filmes portugueses a passar pelos mesmos territórios que “Mosquito” e outras coproduções com o Brasil, numa altura em que o cinema daquele país, devido às políticas culturais incrementadas por Jair Bolsonaro, encara o futuro com um grande desânimo.

“Desterro”, de Maria Clara Escobar, competiu nos Tigers de Roterdão, tem um rasgo e uma ousadia narrativa raras para uma segunda obra, é um salto qualitativo enorme para a cineasta do Rio de Janeiro, a autora de “Os Dias Com Ele”, e faz questão de frisar logo no genérico que “foi viabilizado graças às políticas públicas realizadas no Brasil entre os anos 2003 e 2016, que visavam a diversidade, a distribuição e a descentralização de renda (…)”. Portugal está representado na coprodução pela Terratreme e há no filme técnicos e atores portugueses. “Desterro” é, essencialmente, a crónica da alienação de Laura, mulher da classe média, na casa dos trintas, casada e mãe de uma criança e que, dando-se um dia conta do vazio em que a sua vida se tornou, desaparece sem avisar a família. Mas nós seguimo-la. O corpo dela é encontrado na Argentina. A morte dela não é uma surpresa. E vemos depois em flashback o que lhe aconteceu. “Continuo a aproximar-me do desejo de filmar qualquer coisa que se torna irreparável na vida de alguém”, explicou-nos a realizadora.

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