Os salários já não chegam

O sucesso das empresas está intimamente ligado à qualidade dos seus profissionais. Com a chegada de novas gerações ao mercado de trabalho, o pacote de benefícios necessário para conseguir recrutar os melhores colaboradores depende cada vez menos – embora continue a ser muito importante – do salário e de vantagens inteiramente tangíveis. 

Ao olharmos para a Saúde em Portugal vemos vários hospitais do Interior à procura de médicos. Muitos oferecem, além de um salário superior, habitação, mais dias de férias e ajudas nas despesas da transferência da família e da escola, entre outros incentivos. Contudo há vagas que ficam por preencher, pois para muitos jovens médicos o problema não está na remuneração, mas na falta de condições de equipa, desde poucos enfermeiros, assistentes sociais etc.

No mundo corporativo de hoje encontramos esta nova mentalidade nos profissionais. Não basta dinheiro ao final do mês, nem casa e escola para os filhos. É necessária uma equipa, um bom ambiente de trabalho. Um grupo de colegas em que se pode confiar e colaborar. Esses valores são fundamentais no “core” da empresa.

Não me refiro a fazer desaparecer os cubículos de escritório substituindo-os por “open spaces”, refiro-me aos valores da empresa: se estão associadas a causas ambientais e sociais, se estão empenhadas na igualdade de géneros, se apostam na flexibilidade laboral, se estão a transformar o negócio para progredir no mundo digital.

Quando cheguei ao mercado de trabalho a grande novidade era o fax. Atualmente aposto que as novas gerações não sabem reconhecer o som dessa máquina. Se perguntar à minha filha para me comprar um seguro de vida, de carro ou de casa, ela vai-me perguntar em que aplicação móvel o consegue fazer. E quando tiver a aplicação móvel ela encontra-me um seguro em menos de cinco minutos. Há que projetar processos digitais e alimentá-los com recursos, colocando como modelo as novas gerações, pois elas não são o futuro, mas o presente.

É preciso que uma empresa tenha esta visão e estes valores na empresa para se construir uma “fraternidade” no trabalho. Saber com quem contamos, quem está ao nosso lado, quem partilha os nossos problemas. Nos dias de hoje o trabalho não pode ser apenas uma obrigação com o objetivo de fazer dinheiro. As fronteiras entre o trabalho e a vida pessoal são cada vez mais ténues. E, nesse aspeto, as novas gerações querem trabalhar em empresas que comunguem dos seus valores pessoais.

Os focos são vários, desde o meio ambiente à inovação, do voluntariado à cooperação – estas são algumas bases para uma realização profissional.

Desta forma é preciso conhecer a equipa, sabermos o seu feedback, não só para podermos dar-lhe a melhor oferta no que toca a condições, como também para o funcionário perceber que está envolvido nos processos da empresa. Temos de ouvir as vozes de cada um, convidá-los a participar, a se expressar e a promover a empresa como verdadeiros embaixadores da marca, porque se identificam com o seu “employee branding”.

Foi assim que eu aprendi e foi assim que eu cresci profissionalmente, em equipa.

Vice-Presidente do Sul da Europa & General Manager da MetLife na Ibéria

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