Padre católico não deixa Joe Biden comungar por este defender direito ao aborto

Um padre da Carolina do Sul deixou que Biden assistisse a uma missa mas depois negou-lhe a comunhão por defender o direito ao aborto. Padre diz que candidato está “fora dos ensinamentos da Igreja”.

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Joe Biden diz que pessoalmente é contra o aborto, mas a um nível político diz que ninguém pode dizer às “mulheres não podem controlar o próprio corpo”

JUSTIN LANE/EPA

Joe Biden diz que pessoalmente é contra o aborto, mas a um nível político diz que ninguém pode dizer às “mulheres não podem controlar o próprio corpo”

JUSTIN LANE/EPA

O padre Igreja Católica de Santo António em Florence, na Carolina do Sul, não permitiu que o candidato presidencial e ex-vice-Presidente dos EUA Joe Biden comungasse, sustentando a sua decisão na defesa que aquele político faz do direito ao aborto.

Joe Biden estava de passagem na Carolina do Sul, por onde fez campanha no passado sábado e domingo, quando decidiu assistir a uma missa com a sua mulher em Florence. O casal, que é católico, assistiu à cerimónia, que começou às 9h00. No final da cerimónia, foi-lhe negada a comunhão.

Em resposta ao jornal local Florence Morning News, o padre daquela igreja, Robert Morey disse que “a sagrada comunhão significa que somos um só com Deus, cada um de nós e a Igreja” e que “as nossas ações devem refletir isso”. E, de acordo com a sua interpretação, esse não é o caso de Joe Biden: “Qualquer pessoa que defenda o aborto coloca-se fora dos ensinamentos da Igreja”.

Esta não é a primeira vez que isto acontece a Joe Biden. Em 2008, quando o então senador do Delaware foi anunciado como candidato à vice-Presidente de Barack Obama, o bispo de Scranton (a cidade da Pensilvânia onde Joe Biden nasceu) disse que não iria permitir a comunhão a Joe Biden e a qualquer político que, como ele apoiasse o direito ao aborto.

“Nenhum político católico que apoie a cultura da morte deve ter a sagrada comunhão”, disse o bispo Joseph F. Martino. “Vou ser muito zeloso desta questão.”

Joe Biden, que foi senador entre 1973 e 2009, ano em que assumiu a vice-presidência, tem defendido ao longo da sua carreira o direito ao aborto. Apesar de nos primeiros anos da sua passagem pela câmara alta norte-americana ter feito parte de um conjunto de democratas católicos que procuravam restringir o aborto (tendo votado em 1973 a favor de uma lei que prevenia que fundos federais fossem destinados para custear abortos), Joe Biden tem tido desde então uma posição oposta.

Em 2012, num debate entre candidatos a vice-Presidente, em que enfrentou o republicano Paul Ryan, disse que pessoalmente era contra o aborto — mas acrescentou que isso não o impedia de procurar legislar de forma a permitir essa possibilidade.

“Em relação ao aborto, eu aceito a posição da minha Igreja de que a vida começa na conceção. É essa a opinião da Igreja. Eu aceito-a na minha vida pessoal. Mas recuso impô-la a pessoas tão devotas [quanto eu], sejam cristãos, muçulmanos ou judeus. Recuso impor isso aos outros”, disse Joe Biden, naquele debate. “Não acredito que tenhamos o direito de dizer às outras pessoas que as mulheres não podem controlar o próprio corpo. É uma decisão entre elas e os seus médicos, na minha opinião.”

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