PCP admite “ligeira redução” do comité central no congresso de Novembro

O PCP admite uma “ligeira redução” do comité central a eleger no congresso nacional, em Novembro, que também deve sofrer uma “natural renovação”, foi anunciado nesta quinta-feira.

A hipótese de reduzir o comité central, actualmente com 144 elementos, segundo o site do PCP, é admitida no comunicado final da reunião deste órgão, realizada em 27 e 28 de Junho, e publicado na edição de hoje do jornal oficial do partido, Avante!.

O comité central do PCP, “considerando a experiência do trabalho de direcção, deverá manter as suas características, nomeadamente no que diz respeito às suas competências e dimensão, admitindo-se que este possa ter uma ligeira redução”, lê-se na versão integral do comunicado.

Na reunião do fim-de-semana foram aprovados “os critérios” para escolha dos futuros membros do comité central, que não são publicadas, nem nada diz sobre a escolha do secretário-geral, que, estatutariamente, é feita pela nova composição do órgão máximo dos comunistas, em congresso.

No entanto, em termos genéricos, é dito, no comunicado, que deve manter-se “uma ampla maioria de operários e empregados, com uma forte componente operária”, devendo “integrar quadros do partido — funcionários e não funcionários — com responsabilidades no trabalho de direcção, camaradas de empresas e locais de trabalho, dirigentes ou activistas de organizações e movimentos de massas, que se destacam em várias áreas da vida nacional”.

“A natural renovação deve ter presente uma composição que alie a participação de quadros com experiência à responsabilização de jovens, bem como de mulheres”, segundo o comunicado.

Apesar das restrições causadas pela pandemia de covid-19, desde Março, a primeira fase da preparação do congresso, de discussão das “questões fundamentais” para o partido, “teve um largo número de reuniões e o contributo de muitos membros do partido”.

O XXI congresso do PCP realiza-se em 27, 28 e 29 de Novembro no Pavilhão Paz e Amizade, em Loures, sob o lema “Organizar, Lutar, Avançar ù Democracia e Socialismo”.

Uma resolução aprovada em Março define o calendário de debate interno, numa primeira fase, até ao final de Maio, em que estava previsto fazer uma “discussão em todo o partido das questões fundamentais a que o congresso deve dar resposta” e sobre “as matérias estruturantes a integrar nas Teses — Projecto de Resolução Política a partir das questões, tópicos e linhas” lançados pelo comité central.

A segunda fase prolonga-se até ao fim de Agosto para serem “elaboradas as Teses”, tendo “em conta o debate e as contribuições recolhidas na primeira fase”.

Uma terceira fase decorre até ao fim do mês de Setembro, “após a publicação dos documentos no Avante!”, que, nessa altura, “deverá abrir um espaço dedicado à intervenção dos militantes”, realizando-se também as “reuniões plenárias e assembleias das organizações do partido para o debate das Teses” e para a “eleição dos delegados”.

Sobre o seu futuro, o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, 73 anos, nada tem dito de definitivo quanto a uma possível saída, afirmando apenas que a questão da liderança “não será um problema”.

Em relação ao futuro, o partido o dirá, com a minha opinião, obviamente”, afirmou numa entrevista ao PÚBLICO e *a Rádio Renascença em 24 de Junho.

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