R. Laurentino | Que história estamos criando nessa quarentena

Já são mais de 120 dias de distanciamento físico, e aproximadamente 1.500 horas de tentativas de conexão humana. Foram incontáveis mensagens, áudios, vídeos, filmes, séries, reuniões e festas online.

Desconfio que todas essas tentativas estavam ligadas a busca de ouvir, contar, imaginar e criar histórias. Desde o início dos tempos, é através das histórias reais e imaginárias, que nos conectamos com nossa comunidade, não seria diferente nesse momento.

Histórias estão no mundo para inspirar, relembrar, provocar, nos instiga a saber mais da gente, do outro e do mundo. São extremamente generosas, ao nos convidar para viagens, onde não há limites entre passado, presente e futuro. São fiéis companheiras desde o início dos tempos.

Não é à toa que as crianças se atraem tanto por boas histórias, sabiamente elas desfrutam, sem moderação, desse rico alimento. Viajam instantaneamente para outros mundos, se transformam em diversos personagens ao mesmo tempo, embarcam na viagem no tempo presente, e são surpreendidas com o final.

Estamos neste momento vivendo o que costumamos chamar de “marco histórico”. Lá no futuro do “novo mundo”, poderemos assistir a retrospectiva com muitas informações sobre o vírus, o isolamento social planetário, os desafios e as conquistas da humanidade. Em algum lugar, ou vários, estarão registrados através de dados históricos e científicos nossa experiência coletiva.

A minha imaginação ainda não alcança esse tempo, por isso tenho registrado a minha experiência pessoal, como se fosse uma cápsula do tempo. Mas não faço isso escrevendo como num diário, faço isso construindo memórias com o meu corpo. Foi criando mundos, personagens e novas histórias para mim mesma que consegui chegar até aqui.

E você? O que lembrará desse dia infinito que estamos vivendo?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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