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<p></p><p></p><p>Por Milena Dias, Luana Nogueira e Catharina BragaAgência de Notícias do CEUB/Jornal de Brasília</p><p></p><p></p><p>O diretor artístico Wesley Messias, 42 anos, sempre teve o sonho de ser pai e criar uma família. Mas ele conta que tinha o desejo de adotar uma criança sozinho. “Eu nunca fui ligado a essa construção de família tradicional, formada por pai, mãe e filho biológico”, conta.</p><p></p><p></p><p>No ano de 2015 ele começou a fazer pesquisas para entender como funcionava o universo da adoção, e encontrou o grupo de apoio Aconchego. Ele participou de algumas reuniões do grupo e se candidatou para ser padrinho afetivo, mas logo desistiu. “Eu me candidatei para ser padrinho afetivo, só que depois do primeiro encontro eu já não fui mais, eu não queria ser padrinho, eu queria ser pai mesmo”, disse Wesley.</p><p></p><p></p><p>Wesley Messias participou, durante dois anos, dos encontros que aconteciam no grupo de apoio Aconchego. Ele pôde entender melhor sobre adoção e conhecer a história de pessoas que estavam na fila ou que já tinham adotado. No ano de 2017, ele entrou com o processo burocrático e ficou um ano providenciando a documentação. Depois do processo de documentação ele ficou 3 anos na fila de adoção.</p><p></p><p></p><p></p><p></p><p>Em 2021, após todas as etapas do processo de adoção, finalmente ele conseguiu adotar uma criança, um menino de 9 anos. Wesley conta que no início da adoção, como ainda estava com restrição de contato, ele não conseguia encontrar emprego. “Eu estava sem trabalho, sem emprego, sem produzir dinheiro e meu filho tinha chegado, mas a gente foi dando um jeito”.</p><p></p><p></p><p>Por outro lado, Wesley aponta que o lockdown acabou ajudando para a construção de um relacionamento entre ele e a criança. “O fato de estarmos 24 horas por dia em casa juntos acelerou o nosso processo de vínculo e de afetividade familiar”.</p><p></p><p></p><p></p><p></p><p>O “final feliz” no processo de Wesley ainda não é o mais comum.</p><p></p><p></p><p>O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) registrou um aumento do número de processos adotivos iniciados neste ano. No entanto, enquanto que o total dos finalizados apresentou uma queda de 42% em comparação a 2019, o que representou um descompasso entre o querer adotar uma criança e a conclusão da ação.</p><p></p><p></p><p>Relatos de antes da pandemia apontam que a burocracia do processo é mais um dos inimigos, e um depoimento durante a crise da Covid-19 descreve a dificuldade no procedimento de adoção.</p><p></p><p></p><p></p><p></p><p>Segundo o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), existem atualmente 33,1 mil pessoas habilitadas a adotar uma criança ou adolescente e 4.104 crianças e adolescentes aptas para adoção.Mas, 75% das pessoas procuram crianças entre zero e 6 anos de idade e só 5,8% aceitariam adotar uma criança preta.</p><p></p><p></p><p>Um relatório feito pelo SNA mostrou que, das adoções realizadas entre 2015 e 2020, 51% foram de crianças de até 3 anos; 27% de crianças entre 4 e 7 anos; 15% entre 8 e 11 anos e apenas 6% acima de 12 anos.</p><p></p><p></p><p>“Hoje em dia temos muito mais crianças maiores cadastradas para adoção ao passo que os habilitados querem um outro perfil. Então cada vez mais aqui no nosso trabalho a gente vem tentando fazer essa sensibilização”, afirmou Júlia Salvagni, vice-presidente do grupo Aconchego.</p><p></p><p></p><p></p><p></p><p>A maior alteração no processo adotivo foi a Plataforma Emergencial de Videoconferência para Atos Processuais, que foi criada pelo CNJ para facilitar o trabalho das partes legais em um quadro de atividades presenciais reduzidas.</p><p></p><p></p><p>Durante o lockdown, algumas ONGs de adoção tiveram que reformular a formatação dos estágios de convivência.</p><p></p><p></p><p></p><p></p><p>De acordo com a Vara da Infância e da Juventude do TJDFT (VIJ-DF), de março de 2020 a março de 2021, 200 famílias ingressaram com o processo de inscrição para adoção. Em anos anteriores ao início da pandemia, a média anual era de 110 processos de habilitação para adoção ajuizados na VIJ-DF.</p><p></p><p></p><p>Logo, a chegada da Covid-19 no Brasil não desestimulou a adoção, mesmo com a maior parte desses processos não tendo sido concluídos. A ONG Childfund Brasil também relatou que os apadrinhamentos cresceram após 2020 devido à grande quantidade de crianças que perderam os familiares pelo vírus.</p><p></p><p></p><p></p><p></p><p>Vanessa Ribeiro, 44 anos, teve uma gravidez ectópica, em que o feto se forma em uma das tubas uterinas e deve ser removido para evitar riscos à mãe. Quando foi para a sala de cirurgia, teve uma surpresa: ela havia nascido com apenas uma das tubas. Assim que o órgão fosse retirado, ela não poderia mais engravidar.</p><p></p><p></p><p>Decidiu procurar uma clínica de fertilização, onde indicaram que fizesse uma fertilização In Vitro, mas não se sentiu confortável com a ideia do procedimento. Por isso, o seu marido sugeriu que adotassem. “Fiz cadastro na Vara da infância e do adolescente, fiz um curso e assisti várias palestras no Fórum de Fortaleza. Passaram-se anos, e a única resposta deles é que teria que aguardar. Mesmo sabendo que tinham várias crianças aptas para adoção, a fila de espera não andava”, declarou ela sobre a burocracia do processo.</p><p></p><p></p><p>Por meio de uma conhecida que era assistente social, Vanessa descobriu uma moça grávida que já possuía um filho e, devido à falta de renda, não queria ter outro bebê. Ela se ofereceu para ficar com a criança da genitora e acompanhou a gravidez, bancando com todas as despesas médicas necessárias. Sobre o dia do nascimento, ela disse: “Me marcou muito! Ele (o bebê) veio para os meus braços todo vestido de branco igual um anjinho. Foi a maior emoção que já senti quando o peguei.” Vanessa voltou para o Fórum, onde conseguiu a guarda provisória, porém apenas adquiriu a guarda definitiva depois de quase dois anos.</p><p></p><p></p><p></p><p></p><p>Valéria Santos, 47 anos, sempre teve vontade de ser mãe. Desde quando era criança levava as brincadeiras de boneca muito a sério, desejando que aquilo fosse real um dia. Quando se casou, ela e seu esposo tinham a intenção de ter filhos, mas depois de muitas tentativas e até tratamentos não conseguiram. Foi quando em 2007, depois de conhecer um casal que havia adotado uma criança, resolveram fazer o mesmo.</p><p></p><p></p><p>Logo procuraram a vara da infância, preencheram as fichas necessárias e passaram por uma entrevista com um psicólogo assistente social para enfim entrar na fila da adoção. Valéria relata que durante todo o processo, que durou quatro anos, sentiu um misto de emoções, entre medo, anseio e pressa, mas com muito amor pra dar.</p><p></p><p></p><p>“Eu era a penúltima da fila quando a Aline nasceu e a justiça mandou intimação, telegramas e ligação e não acharam o casal que estava na minha frente. Então eles chamaram a mim e ao João, meu esposo. E assim ela veio para o lugar certo, que é a nossa família e família dela.”</p><p></p><p></p><p></p><p></p><p>Lidar com a adoção de uma criança pode ser difícil mesmo depois das etapas legais a serem cumpridas porque ainda existe o preconceito. “Me lembro de uma vez em que ao passar na rua empurrando o carrinho para um banho de sol com a minha filha amada, uma vizinha distante me disse: ‘Não tenho coragem de cuidar do filho dos outros!’ Eu respondi que a filha era minha e não me importei muito, naquele momento a felicidade era o mais importante.”</p><p></p><p></p><p>Mesmo diante de situações como essa, ela afirma que não é preciso ter medo, existe uma troca natural de amor, cuidado e responsabilidade e ainda aconselha: “o diálogo sempre com a verdade é o grande sucesso para este vínculo.”</p><p></p><p></p><p>Supervisão de Luiz Claudio Ferreira</p><p></p><p>O post Dia da Adoção: famílias explicam que laços se fortaleceram durante pandemia apareceu primeiro em Jornal de Brasília.</p>
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