
Segundo Gagliano, o processo de tomada de decisão é único no nosso cérebro. “Funciona da mesma maneira, seja quando um juiz vai condenar alguém a muitos e muitos anos de prisão, seja quando uma pessoa vai escolher com qual sapato deseja sair de casa. O que muda são apenas as especificidades. Então, obviamente, o juiz não vai virar para um acusado e dizer: ‘use o sapato tal’. Não, ele vai condená-lo, assim como não olhará para o sapato e dirá: ‘eu te condeno’. O que muda são apenas as especificidades, mas o processo em si de tomada de decisão é o mesmo, o que nos dá algumas pistas indicativas interessantes.”
Conforme o entrevistado, diferentemente do que se imagina, o nosso cérebro não é programado para encontrar a verdade nas coisas. “Ao contrário, se ele tiver que escolher entre verdade e sobrevivência, escolherá, sem sombra de dúvida, a sobrevivência. Então, muitas vezes isso se traduz em falsos positivos ou falsos negativos. Ou seja, você acaba acreditando ou deixando de acreditar em alguém ou em alguma coisa porque o que o seu cérebro está tentando fazer é proteger você, para que possa permanecer vivo. Isso ocorre num nível de inconsciência tremendo, em que você sequer tem percepção do movimento cerebral que está acontecendo. E isso se traduz também no âmbito judicial”, observou.
Dentre outros assuntos abordados na entrevista, o magistrado ressaltou a importância da terapia para uma melhor tomada de decisões. “O terapeuta mostra aspectos que não vimos, então ele corrige uma coisa chamada assimetria informacional. Ele nos dá mais dados, mais variáveis, mais informações que estavam nubladas para nós. E aí, se você está disposto a conhecer esses dados, essas informações e considerá-las, o seu processo decisório se torna mais rico. Então, o seu terapeuta tem razão, e esse pode ser um bom caminho para todos nós.”
“A mensagem final e, obviamente, o que pode ajudar a corrigir toda a rota do sistema é o processo educacional. Precisamos educar mais as pessoas, os técnicos, os profissionais que atuam na área decisória, na área de tomada de decisão, para que possam visualizar as variáveis que devem ser consideradas e perceber os possíveis equívocos que não perceberiam — as ‘casquinhas de banana’ que os levariam a escorregar — para que isso não ocorra. Em síntese, é uma questão educacional”, complementou.
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Autor: Lígia Saito
Fotografo:
Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT
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